Werlang diz que não há como segurar o câmbio

"Não há instrumentos para segurar o câmbio no curto prazo. Pelo menos até as eleições de outubro, é o próprio mercado que definirá o patamar da moeda", diz o ex-diretor do Banco Central e atual diretor do Banco Itaú, Sérgio Werlang, também professor da FGV. Contrário à queima de mais reservas do Tesouro para conter a alta do dólar, ele acredita que só um novo acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI), de no mínimo um ano e com apoio dos candidatos à Presidência, pode ajudar a atenuar o clima de incerteza.Para Werland, esse acordo significaria um aval da instituição para as políticas econômicas a serem adotadas após o pleito. Ele atribui escalada do dólar principalmente à falta de uma política fiscal mais forte e à indefinição do quadro político.Na avaliação de Werlang, o grande medo dos estrangeiros que estão tirando ativos do País não é a moratória, mas o da rolagem da dívida no overnight. "O Brasil está longe de uma moratória", afirmou. Werlang foi um dos participantes, ontem à noite, de mesa redonda sobre o impacto da crise argentina sobre a América Latina, parte do Encontro Latino Americano da Sociedade de Econométrica. Na platéia, a vice-diretora gerente do FMI, Anne Krueger, apenas assistiu o debate.Para o ex-diretor do BC, a grande sequela da alta desenfreada do dólar em relação ao real é a exigência de um aperto fiscal ainda maior. Ele acredita que o governo, ao segurar o repasse da alta do dólar para os preços, diminuirá o impacto do câmbio sobre a inflação. Quanto às empresas, Werlang acredita que as que têm dívidas em dólar já fizeram hedge. E as que necessitam de financiamento, ele aconselha buscá-lo em reais.Ele defende a geração de superávits primários da ordem de 5% a 6% - bem acima dos atuais 3,75% do PIB, e de um planejamento fiscal por pelo menos dois anos, para dar alguma tranquilidade ao mercado. "O Brasil gasta demais. O gasto não-financeiro cresceu de 28% do PIB para 32% apenas de 1999 para cá", exemplifica.Werlang afirma que o grau de incerteza sobre a futura política econômica do Brasil é muito alto. Ele defende, além de maior superávit primário, mais privatizações, redução das taxas de importação, maior integração comercial do Brasil e aperfeiçoamento da regulação do mercado de trabalho.

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