Jonne Roriz|Estadão
Jonne Roriz|Estadão

Werner Voigt, fundador da Weg, morre aos 85 anos

Empresário catarinense fundou a fabricante de motores elétricos com outros dois amigos na década de 1960

O Estado de S.Paulo

01 Junho 2016 | 23h14

Na segunda-feira, antes do feriado de Corpus Christi, Werner Voigt ainda esteve na sede da Weg, em Jaraguá do Sul. Aos 85 anos, ele visitava a fábrica quase que diariamente, participava de reuniões de conselho e percorria os corredores da linha de produção, para observar e conversar com funcionários. Era sua rotina, desde que deixou o dia a dia da fabricante de motores, nos anos 90. Essa visita, há dez dias, foi a última. Voigt, um dos três fundadores da gigante catarinense, morreu no início da tarde desta quarta-feira, 1º, em Jaraguá do Sul, “de causas naturais”, segundo nota divulgada pela empresa.

Eletricista autodidata, ele aprendeu o ofício lendo os livros de um tio, em alemão. Aos 23 anos, montou uma oficina no centro de Jaraguá e, em 1961, juntou-se aos amigos Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus para fundar uma pequena fábrica de motores elétricos que seria batizada com as iniciais dos três sócios.

Desde o início, os amigos se preocuparam em definir a função que cada um teria no negócio. Silva seria o administrador. Voigt e Werninghaus, os responsáveis pela linha de produção e pelo desenvolvimento tecnológico. As três famílias detinham o controle da companhia em partes iguais e pensaram, desde cedo, o processo de sucessão. O filho de Eggon João da Silva, Décio Silva, assumiu, em 1989, o comando da empresa no lugar do pai, que passou a atuar em conselhos de administração de outros grupos. Werninghaus foi vereador, deputado e chegou a ser prefeito de Jaraguá do Sul. Ele morreu em 1999 e, Eggon, no ano passado.

Voigt foi diretor técnico da Weg até 1980 e, depois, por 18 anos, atuou como diretor superintendente da Weg Máquinas, unidade que produzia geradores e motores de alta tensão. Também foi conselheiro da fabricante entre 1989 e 2005, e membro do conselho da WPA, holding das famílias que detém o controle do grupo Weg.

“Se eu pudesse definir o seu Werner em apenas uma palavra, seria presença”, diz Hilton José da Veiga Faria, diretor de recursos humanos do grupo. “Ele estava sempre entre a gente, caminhando pela fábrica, fazendo perguntas, instigando os funcionários a pensar soluções inovadoras.” Uma das últimas frases que o executivo ouviu do chefe, durante uma reunião, foi: “Hilton, sempre tem um jeito de fazer melhor.”

Foi com essa filosofia que ele e os sócios construíram uma das maiores empresas do País, com presença global. No ano passado, a Weg faturou R$ 9,7 bilhões – mais da metade da receita veio do mercado externo. A companhia emprega 30,9 mil pessoas em 80 países.

O próprio Voigt ainda parecia se espantar com o tamanho do negócio que ajudou a criar. “Ele tinha o hábito de tomar café com os amigos no centro da cidade e levá-los para visitar a fábrica”, conta Faria. “Quando fazia o convite, dizia até com certo espanto: você tem que ver o tamanho que ela ficou.”

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