WestLB recomenda redução da exposição em títulos do Brasil

O banco WestLB recomendou hoje que seus clientes reduzam a exposição indicada anteriormente aos bônus 2011 (papéis da dívida do País) do Brasil quando houver um repique do mercado. Além disso, o banco elevou a sua estimativa para a Selic, a taxa básica de juros da economia, no final do ano de 14% para 15% - hoje a Selic está em 16% ao ano."Fatores externos combinados com crescentes dúvidas sobre a capacidade do governo Lula de gerenciar as agendas política e econômica têm produzido uma forte venda da dívida soberana brasileira", disse o analista Nicolas Tingas, do WestLB. "A perspectiva de alta dos juros nos Estados Unidos, os crescentes preços do petróleo, preços de commodities em queda e uma esperada desaceleração na China geraram uma correção nos prêmios de risco dos mercados emergentes, tornando o financiamento da dívida soberana mais custoso."Além disso, Tingas afirma que fatores domésticos tornaram o cenário brasileiro ainda pior. O analista observa que sua recomendação para os Brasil 2011 teve uma performance pobre até o momento, com um retorno negativo de 10%. "Minha recomendação é para fechar o ´trade´ (a operação) nas próximas semanas num momento de repique do mercado, pois o terceiro trimestre provavelmente trará mais riscos negativos para os ativos brasileiros", explicou.Segundo Tingas, a "carência de coordenação do governo, a excessiva independência dos ministros e longos atrasos legislativos no Congresso Nacional continuam a alimentar as dúvidas sobre a capacidade do governo Lula de avançar com as muitas necessárias reformas que poderiam estimular a confiança dos investidores".O analista acredita que, na ausência de qualquer alternativa para estimular um crescimento econômico mais rápido, o governo vai manter a atual política até as eleições municipais de outubro. "A política fiscal vai continuar sólida e a balança comercial vai continuar registrando fortes superávits. Mas há pouco espaço para novos cortes nos juros."Perspectivas ruinsO analista acredita que os mercados brasileiros poderão viver uma recuperação temporária em junho, quando o Congresso deverá aprovar as Parcerias Públicas e Privadas e os indicadores do segundo trimestre poderão mostrar uma melhora em relação ao período anterior. Isso, segundo ele, "abriria uma oportunidade para os investidores reduzirem sua exposição ao Brasil".Tingas observou que os riscos devem crescer no início do terceiro trimestre. Um "contínuo fracasso do governo em obter avanços nos programas sociais" e uma "lenta e fraca recuperação econômica" vão continuar a prejudicar o governo e também o apoio ao PT nas eleições de outubro. "Nesse ponto, derrotas significativas nas eleições são uma possibilidade real", disse.O analista acrescentou que, nesse cenário, provavelmente ocorrerá uma maior deterioração na capacidade do governo de atrair investimentos no terceiro trimestre. "Isso significa uma perspectiva desencorajadora para o crescimento econômico em 2005 e nos anos seguintes", disse.

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