Whirlpool investe em centro de tecnologia no País

Centro de Rio Claro desenvolve produtos globaisMárcia De Chiara

O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2008 | 00h00

Os consumidores indianos e chineses nem sonham onde são concebidos os projetos das lavadoras que equipam as suas casas. É da cidade de Rio Claro, localizada a 180 quilômetros da capital paulista, o segundo município brasileiro a ter energia elétrica, que saem hoje os protótipos desses produtos da Whirlpool Corporation, a maior fabricante mundial de eletrodomésticos."Perto de 40% dos lançamentos de eletrodomésticos de lavanderia (lava-louças e lavadoras de roupas) feitos no ano passado pela corporação mundial foram projetados no centro de tecnologia de lavanderia da cidade", contou o presidente da Unidade de Eletrodomésticos da companhia para a América Latina, José Drummond. O centro exporta tecnologia para cerca de 30 países. "Esses produtos sequer passam pelo mercado nacional", disse o executivo. Ontem, Drummond anunciou investimentos de R$ 10 milhões no centro de tecnologia de Rio Claro, que virou uma referência da corporação. Ele destacou que, apesar das exportações de produtos terem caído pela metade no último ano e hoje representarem apenas 15% das vendas da subsidiária,o Brasil está exportando não apenas conhecimento, mas também talentos."Temos hoje 40 profissionais brasileiros expatriados." Como exemplo, ele citou que o gerente-geral do centro de tecnologia de lavanderia da China que é brasileiro e os engenheiros que lideram os centros tecnológicos da corporação nos Estados Unidos e na Alemanha são "made in Brazil". Também o segundo homem da Whirlpool Corporation, responsável pelas operações da companhia em todas as partes do mundo, exceto nos EUA, é um brasileiro, Paulo Periquito. Até um ano atrás, ele era o presidente para América Latina.LAVAR CHUMBOA excelência da tecnologia brasileira na produção de lavadoras não se restringe a exaustivos testes de produtos. Quem percorre o centro tecnológico se depara com barras de chumbo que são centrifugadas nas lavadoras como se fossem roupas. A intenção é testar a resistência dos equipamentos, quando as roupas aumentam de peso ao ficarem encharcadas de água.Apesar dos testes, o foco dos projetos concebidos no centro tecnológico de Rio Claro é hoje exatamente a escassez de recursos naturais, como água e energia, observou o vice-presidente de Desenvolvimento de Produtos, Rogério Martins. "Hoje as lavadoras gastam 60% menos água do que há dez anos." Ele contou que a empresa acaba de lançar uma lavadora que ajusta automaticamente os volumes de água e sabão, sem desperdícios.INVESTIMENTOSNeste ano, os investimentos globais no Brasil da Whirlpool, que é dona das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid, deverão somar US$ 100 milhões. A maior parte dessa cifra será destinada à pesquisa de novas tecnologias, afirmou Drummond.A meta da subsidiária para 2007 é crescer entre 10% e 15%, após ter fechado 2007 com expansão de 20% e vendas de quase R$ 6 bilhões, com 7 milhões de produtos, um recorde para a companhia. A expansão prevista para 2007 será puxada em boa parte pela venda de lavadoras, que estão em apenas 35% dos lares brasileiros.

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