Fabio Motta/Estadão - 26/6/2017
Fabio Motta/Estadão - 26/6/2017

Wilson Ferreira Junior vai assumir presidência da BR Distribuidora

Executivo vai deixar comando da Eletrobrás no dia 5 março; notícia da renúncia ao cargo não foi bem recebida pelo mercado, pelo entendimento de que este é um sinal de que a venda do controle da estatal está mais distante

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2021 | 11h24
Atualizado 25 de janeiro de 2021 | 19h04

O executivo Wilson Ferreira Junior, que anunciou no domingo, 24, sua saída do comando da Eletrobrás a partir de 5 de março, vai presidir a BR Distribuidora, no lugar de Rafael Grisolia. O anúncio formal de sua contratação será feito pela maior distribuidora de combustíveis do País ainda nesta segunda-feira, 25, em fato relevante.

Ferreira Junior estava desde 2016 na Eletrobrás e era um grande defensor de sua privatização. No mercado, sua saída não foi bem recebida, pelo entendimento de que este é um sinal de que a venda do controle da estatal à iniciativa privada está ainda mais distante. As ações da estatal registram forte queda em Nova York. No Brasil não há negociação nesta segunda na B3, por causa do feriado em São Paulo.

A BR Distribuidora, que tem a Petrobrás como principal acionista, foi privatizada há dois anos, quando a petroleira vendeu, em dois momentos, sua participação em oferta na bolsa de valores. A Petrobrás deverá, ainda no primeiro semestre do ano, vender uma fatia adicional da BR, também por meio de uma oferta na bolsa. Hoje, ela possui uma fatia de aproximadamente 37%.

A escolha de Ferreira Junior para a BR foi com o olhar na reestruturação da companhia, algo visto como natural após sua privatização. Um dos desafios será conduzir a empresa para uma menor dependência dos combustíveis fósseis. 

Em fato relevante divulgado pela Eletrobrás no fim da noite de domingo, a empresa citou que o executivo renunciou alegando motivos pessoais. Ainda não há um sucessor indicado.

O anúncio da renúncia de Ferreira chamou ainda mais atenção porque ocorreu dias depois de o candidato à  presidência do Senado apoiado pelo governo Bolsonaro, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), dizer que a privatização da Eletrobrás não seria um foco da sua gestão.

A BR contratou em agosto do ano passado a consultoria de recursos humanos Egon Zehnder para a busca de um substituto a Grisolia, executivo que ajudou a conduzir a abertura de capital da BR. O convite a Ferreira, comentou uma fonte próxima à companhia, foi feito em dezembro do ano passado e prontamente aceito pelo executivo. 

A reunião da Comissão de Ética Pública (CEP) que analisará se existe conflito para a ida de Ferreira à BR e que definirá se será preciso o cumprimento de quarentena está marcada para a quinta-feira, dia 28. Os planos iniciais da BR era de fazer o anúncio da contratação do executivo apenas no dia seguinte, na sexta-feira. 

A contratação de Ferreira contou com o apoio da Petrobrás, que tem pressa para vender  mais uma fatia que possui na BR. Um dos entraves até aqui para a venda é o preço da ação. A Petrobrás só fará esse desinvestimento quando o papel estiver acima de sua última venda, em 2019, ou seja, R$ 24,50. Na última sexta-feira, a ação da BR estava em R$ 20,90.

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