Wolfowitz deve avaliar sua credibilidade, diz ministra alemã

O presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, precisa decidir se ainda tem credibilidade para liderar a instituição, depois do controverso episódio da promoção da sua namorada, disse neste sábado uma ministra alemã. "Para mim a coisa mais importante é a autoridade moral e a estabilidade financeira do Banco Mundial não serem afetadas", afirmou a ministra alemã do Desenvolvimento, Heidemarie Wieczorek-Zeul, à Reuters. "Ele mesmo tem que decidir se ainda tem credibilidade para representar o Banco Mundial", declarou. Os comentários se dão no momento em que Wolfowitz enfrenta pressão crescente pela sua demissão, devido ao seu papel na promoção da sua namorada e funcionária do banco, Shaha Riza. O conselho administrativo do banco afirmou na sexta-feira que logo decidiria como proceder no caso. O tema ofuscou as discussões previstas para as reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial neste fim de semana. O Banco Mundial é "uma instituição cuja administração e cuja ética devem ser impecáveis", declarou na sexta, dia 13, o ministro das Finanças da França, Thierry Breton. "Confio plenamente que o conselho administrativo vai traçar as consequências que deve traçar, e não tenho mais comentários." A Casa Branca ficou ao lado de Wolfowitz e previu, também na sexta-feira, que ele sobreviverá ao escândalo. Grã-Bretanha A Grã-Bretanha avalia que o escândalo envolvendo a promoção da namorada do presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, prejudica a instituição e a decisão sobre o destino do alto funcionário deverá ser tomada pela diretoria do banco. "Mesmo que tudo isso tenha prejudicado o banco e não devesse ter acontecido, devemos respeitar o processo da diretoria", disse o ministro de Desenvolvimento britânico, Hilary Benn, em nota. "Tenho certeza de que essa visão será compartilhada por outros líderes, que também ponderarão sobre uma resposta." Entenda o caso Como já era esperado, o salário de Shaha Riza virou polêmica. Ela era funcionária do Banco Mundial e foi transferida para o Departamento de Estado em setembro de 2005, pouco depois de Wolfowitz assumir a presidência do Bird. Na transição, ganhou aumento salarial de US$ 61 mil (mais de 40%) - seu salário foi para US$ 193.590 por ano. Ela passou a ganhar mais do que a secretária de Estado, Condoleezza Rice, que recebe US$ 183.500 brutos por ano. O corpo diretor do Banco Mundial vai deliberar sobre o caso. Wolfowitz disse na quinta-feira, 12, que se encontrou com o corpo diretor (board) do Banco Mundial e propôs que fosse julgado o acordo para a transferência de sua namorada, do Bird para o Departamento de Estado dos EUA. "Eu aceitarei qualquer remédio que for proposto", disse. O presidente do Bird pediu desculpas pelo envolvimento no caso, mas ainda não se sabe se ele renunciará ao cargo de presidente. O fato é que o Bird continua pagando o salário da namorada de Wolfowitz, que era conselheira de comunicações no Departamento de Oriente Médio do banco antes de ser transferida. A propósito, a principal bandeira empunhada por Wolfowitz no Bird é o combate à corrupção e nepotismo nos países pobres. Ele foi vice-secretário de Defesa dos Estados Unidos e um dos principais arquitetos da Guerra do Iraque.

Agencia Estado,

14 Abril 2007 | 14h48

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