Wolfowitz sai depois de apenas dois anos no Banco Mundial

O ex-"número dois" do Pentágono anunciou que retornará ao setor privado

Agencia Estado

02 de julho de 2007 | 09h27

O presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, encerrou neste sábado, 30, seu mandato depois de ficar apenas dois anos à frente da instituição e após um escândalo relacionado à promoção e ao aumento do salário de sua namorada, Shaha Riza, também funcionária da entidade.Wolfowitz, que deixa o cargo três anos antes dos previsto, aproveitou a sexta-feira, 29, para dar sua última entrevista ao jornal "Financial Times".O ex-"número dois" do Pentágono anunciou na entrevista que retornará ao setor privado como convidado do centro de estudos americano American Enterprise Institute (AEI) e deixou aberta a possibilidade de voltar a participar da administração, embora não tenha especificado em que cargo.Alguns dos promotores e partidários da Guerra do Iraque, como o vice-presidente americano, Dick Cheney, e o ex-embaixador nas Nações Unidas John Bolton, trabalharam na AEI, antes de entrar na Administração de Bush."Há 20 anos fui embaixador dos Estados Unidos na Indonésia e devo dizer que me apaixonei pelo país", disse Wolfowitz, que acrescentou que gostaria de ajudar no desenvolvimento da África.Após dois anos à frente do Bird, Wolfowitz põe um ponto final em um escândalo em torno do salário de sua namorada, uma funcionária da entidade, que o obrigou a renunciar em 17 de maio.Com a chegada de Wolfowitz ao banco, Riza foi transferida para o Departamento de Estado, apesar de seu salário ter continuado a ser pago pelo Bird, que foi elevado a quase US$ 200 mil, acima das normas da instituição financeira e do que recebe a própria secretária de Estado, Condoleezza Rice.No dia 25, o Conselho Executivo do Banco Mundial elegeu por unanimidade Robert Zoellick, que assumirá a Presidência no domingo e se declarou "honrado" pela confiança depositada nele.A renúncia de Wolfowitz levou a um longo processo de negociação diante de sua reivindicação de que o comunicado final reconhecesse que atuou de boa-fé ao decidir os detalhes das condições trabalhistas de Riza, o que acabou sendo feito pelo Conselho Executivo em maio."Wolfowitz nos disse que atuou de forma ética e com boa-fé no que ele achava que seria de maior interesse para a instituição, e nós aceitamos" a alegação, afirma o comunicado do Conselho Executivo, integrado por 24 diretores, que representam os 185 membros da entidade.O comunicado destacava que as demais pessoas envolvidas na transferência de Riza para o Departamento de Estado e as condições da operação também atuaram de boa-fé.Riza trabalhava para o Banco Mundial quando Wolfowitz assumiu a Presidência, em junho de 2005. Três meses depois, foi transferida para o Departamento de Estado para evitar um conflito de interesses, mas permaneceu na relação trabalhista do Banco Mundial. Seu salário passou de US$ 133 mil para US$ 180 mil e chegou a US$ 193.590 líquidos após a primeira revisão anual.Em 14 de maio, um painel investigador do Bird divulgou um relatório que concluía que o aumento recebido por Riza a pedido de Wolfowitz superou o limite estipulado pelas normas da instituição. O Conselho não mencionou então a violação das normas, mas afirmou que as pessoas que tiveram que lidar com o caso de Riza cometeram "uma série de erros", e que é necessário revisar o sistema administrativo do BM.Os 24 diretores também reconheceram várias conquistas de Wolfowitz durante seus dois anos de mandato, como a Iniciativa Multilateral para o Cancelamento da Dívida, o Plano de Ação para a África, a Iniciativa sobre a Gripe Aviária e a nova estratégia anticorrupção aprovada em meados de março.Gestão ZoellickSegundo nota divulgada esta semana pelo Bird, Robert Zoellick, o ex-"número dois" do Departamento do Tesouro, trará "uma forte liderança, qualidades de gestão e uma reconhecida trajetória em assuntos internacionais".Na segunda-feira, Zoellick, que terá um mandato de cinco anos, disse que está "pronto para trabalhar sob tamanha responsabilidade".Desde sua fundação, em 1944, o Banco Mundial sempre foi presidido por um americano, já que o país é o maior acionista da instituição e, portanto, possui a maior percentagem de voto.Enquanto isso, por um acordo tácito com Washington, a Europa tem a chefia do Fundo Monetário Internacional.

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