WorldCom deve US$ 3,5 bi a bancos eurorpeus

A dívida da norte-americana WorldCom junto aos bancos europeus totaliza US$ 3,56 bilhões, de acordo com documento apresentado pelo grupo de telecomunicações ao tribunal de Nova York. Contudo, a exposição dos bancos em dinheiro, que não pode ser recuperado, provavelmente será bem menor. Boa parte do dinheiro recai sobre bônus ou empréstimos que os bancos forneceram aos clientes, cujos prejuízos serão enfrentados pelos clientes, não pelos bancos. O maior credor da WorldCom, o Deutsche Bank, exige US$ 1,24 bilhão contra a WorldCom, mostram os documentos. Esse número inclui US$ 1 bilhão em bônus adquiridos para o próprio banco e para clientes e US$ 240,8 milhões em empréstimos. O ABN Amro, que reclama um total de US$ 993,9 milhões, disse que sua exposição não ficará acima de ? 100 milhões (US$ 100 milhões), sugerindo que boa parte dos papéis da dívida foi vendida em favor de clientes. Quatro bancos, o francês Credit Lyonnais, o alemão Bayerische e os britânicos Royal Bank of Scotland e o Lloyds TSB exigem o mesmo valor, US$ 100,2 milhões, sugerindo que os papéis da dívida foram consorciados entre eles. A WorldCom, que entrou com um pedido de concordata ontem, pediu ao juiz encarregado do caso mais 90 dias para preencher certos autos de declaração financeira. Como outras empresas em concordata, a WorldCom deve descrever cronogramas de ativos e passivos, de contratos em execução e arrendamentos não vencidos, lista de acionistas e declarações de assuntos financeiros no prazo de 15 dias depois do pedido de concordata. Devido à "complexidade e diversidade" de suas operações, Marcia Goldstein, advogada da WorldCom, escreveu na moção da concordata que a companhia precisará de mais tempo para descrever aqueles cronogramas e declarações. Enquanto isso, de acordo com o juiz Arthur Gonzalez, que estará supervisionando o registro de concordata nos EUA, a primeira audiência sobre a concordata da WorlCom será às 15h00 (de Brasília) na Corte de Manhattan. Como sempre ocorre na primeira audiência, a WorldCom deverá buscar a aprovação do juiz para continuar pagando seus funcionários enquanto se reestrutura e contrata profissionais, como advogados e consultores, para conjuntamente administrarem e elaborarem os autos do chamado ?Chapter 11? da legislação americana (que trata de concordatas) das 180 subsidiárias da empresa. O juiz Gonzalez está também presidindo os procedimentos da concordata da Enron que era, até domingo, o maior caso deste tipo nos EUA.

Agencia Estado,

22 de julho de 2002 | 14h08

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