Xangai se recupera, mas bolsas continuam em queda

O principal índice da Bolsa de Valores de Xangai, na China, avançou quase 4% nesta quarta-feira, 28, um dia após registrar sua maior queda em uma década. Na Europa e na Ásia, no entanto, as bolsas registraram fortes perdas.O índice Xangai Composto, que na terça-feira, 27, despencou 8,84%, encerrou em alta de 3,94%, aos 2.881 pontos. O tombo do dia anterior havia feito desaparecer, literalmente, mais de US$ 100 bilhões em recursos de investidores.Na Bolsa de Valores de Hong Kong, porém, o índice Hang Seng caiu 2,46%. No Japão, o Nikkei recuou 2,85% e, nas Filipinas, a queda chegou a 7,9%. Na Europa, pela manhã, Londres abriu com queda de 1,5% e o DAX alemão caiu 1,6%.Temor A queda registrada na terça-feira, na China, foi atribuída ao temor de que o governo eleve as taxas sobre investimentos financeiros, em uma tentativa de aumentar a transparência das negociações no mercado e conter a especulação financeira.Nos últimos 12 meses, o preço das ações chinesas acumulou uma alta de cerca de 130% e o índice Xangai Composto ultrapassou os 3 mil pontos, atingindo um nível recorde de pontuação.Para conter a crise, autoridades chinesas saíram a público e negaram planos de elevar as taxas sobre investimentos financeiros, mas anunciaram a criação de uma comissão para verificar a procedência dos recursos que são investidos nas bolsas.DesaceleraçãoUma das explicações para a série de quedas em todo o mundo é o receio de que a economia global possa estar começando a experimentar uma desaceleração.Na terça-feira, dados divulgados pelo mercado americano mostraram que a procura por bens duráveis caiu 7,8% em janeiro, a maior queda nos últimos três meses.No mesmo dia, por causa do tombo na China, o índice Dow Jones registrou sua maior baixa desde os atentados de setembro de 2001, 3,24%. Pelo mesmo motivo, a Nasdaq recuou 3,86%.AnáliseA queda generalizada causada pelas perdas de Xangai não deve se espalhar pelo mundo da mesma maneira que a crise asiática de dez anos atrás, de acordo com uma avaliação do jornal britânico Financial Times.Segundo a reportagem, o que ocorreu em 1997 foi uma série de "crises financeiras e cambiais que se espalharam de um país para outro, até que os mercados da Europa e dos EUA também fossem atingidos".Desta vez, porém, os analistas consideram que a causa da crise é diferente. "Eles sugerem que havia uma queda correlacionada envolvendo vários ativos que pareciam supervalorizados e, por isso, pouco atraentes", aponta o jornal.Este texto foi alterado às 8h47 para acréscimo de informações

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