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Xeque de Dubai chega ao Brasil com planos de negócios para AL

Ahmed bin Saeed Al-Maktoum anuncia nova rota da Emirates Airlines entre Dubai e o Brasil

Adriana Carranca, O Estadao de S.Paulo

11 de outubro de 2007 | 00h00

Substituindo o dishdasha e o kaffiyeh, túnica e turbante brancos que compõem a tradicional vestimenta, com a qual costuma aparecer no mundo árabe, por um sóbrio terno azul-marinho de corte fino e ocidental, o Sheik Ahmed bin Saeed Al-Maktoum desembarcou, ontem, no Brasil em busca de novos negócios. O primeiro encontro foi com o presidente Lula. Na pauta acordos comerciais bilaterais com os Emirados Árabes Unidos, facilitados, agora, pela ponte aérea São Paulo-Dubai, que ele inaugura oficialmente, hoje, pela estatal Emirates, uma das companhias aéreas que mais crescem no mundo e da qual é presidente.Além de fazer de Dubai um novo hub para brasileiros e, a partir do ano que vem, argentinos e chilenos, rumo aos países do Oriente Médio e Ásia, nos dez aviões 777-200, novinhos em folha e comprados exclusivamente para a nova rota com seis vôos semanais iniciados em 1º de outubro, Saeed quer transportar produtos brasileiros exportados para o mundo árabe, que no primeiro semestre movimentaram U$ 3,2 bi. ''''Queremos estreitar relações e aumentar os negócios entre a América do Sul e o mundo árabe'''', disse Saeed em entrevista por e-mail ao Estado, de Dubai, antes de embarcar ao Brasil.Aos 49 anos, Saeed é o mais jovem de quatro gerações dos Al-Maktoum, que reinam nos sete estados que compõem os Emirados Árabes e o homem de negócios no qual a família deposita as fichas para alçar Dubai a centro comercial e de turismo mundial de negócios e lazer. A missão de alçar vôos mais altos foi herdada do pai, Sheik Saeed bin Maktoum Al Maktoum, então primeiro-ministro de Dubai, morto em 1958, no mesmo ano em que o filho nasceu. Foi ele o visionário que enxergou no petróleo uma riqueza escassa, mas que, até lá, poderia fazer daquele pequeno pedaço de terra e areia uma potência econômica independente do petróleo.Sentados em petrodólares, Ahmed e o irmão mais velho e sucessor, Sheik Rashid bin Saeed Al Maktoum, morto em 1990, construíram um oásis de infra-estrutura (incluindo portos, aeroportos, estradas, complexos hoteleiros, de escritórios e moradia, e um centro de tecnologia) no meio do deserto, abriam as porteiras para o comércio mundial entre Ocidente e Oriente com atrativas taxas e transformaram Dubai em um porto seguro para investimentos estrangeiros no conturbado mundo árabe.O faturamento com petróleo passou a representar menos de 5% dos U$ 40 bilhões do PIB de Dubai, muito antes de suas reservas se esgotarem, o que deve acontecer dentro de uma década. Dubai é hoje sede para multinacionais como Microsoft, Oracle and HSBC. O setor de construção não pára de crescer e inclui projetos megalomaníacos como o sete estrelas Burj Al Arab, com andares submersos no mar do Golfo Pérsico, a Dubailand, parque temático, espécie de Disneylândia do tamanho de Singapura, a Palm Islands, três ilhas em construção, uma delas do tamanho de Manhattan, a mais alta torre do mundo, prevista para 2008, o maior shopping do mundo, com inauguração em 2009 e, em 2010, o maior aeroporto do planeta. Em 30 anos, a população de Dubai passou de pouco mais de 150 mil habitantes para 1,5 milhão - 78% dos quais estrangeiros de mais de 100 nacionalidades.Além de cuidar de boa parte dos negócios da família, cujo patrimônio é estimado em U$ 10 bilhões, Saeed investe em times de futebol, rugby e corridas de cavalos - uma tradição beduína e paixão dos Al-Maktoum, a maior colecionadora do puro sangue árabe Thoroughbreds - que tem sua COPA Mundial realizada em Dubai, com prêmios de U$ 21 milhões, descontadas as despesas com a viagem dos cavalos, transportados em um 747 construído só para isso. A seguir, os principais trechos da entrevista:Por que investir no Brasil?A Emirates quer ter presença nos principais mercados mundiais. O Brasil é a 11ª economia do planeta, o 5º maior país em população e uma liderança na América do Sul, ativamente engajado em acordos de cooperação com as maiores economias emergentes.Empresários e corporações brasileiras vêm assumindo um papel cada vez mais importante no mercado global. Outra motivação são as exportações brasileiras para as nações árabes, que somaram U$ 3,2 bilhões no primeiro semestre. Essa nova rota aérea ligando os dois mundos aumentará o comércio bilateral entre Brasil e Emirados Árabes e será uma ponte entre a América do Sul e o Oriente Médio.Qual é o potencial de negócios bilaterais entre os dois países?O presidente Luis Inácio Lula da Silva visitou os Emirados Árabes em dezembro de 2003. O Brasil sediou a 1ª cúpula América do Sul-Países Árabes, em 2005, em que se discutiu comércio, negócios, investimentos, turismo e cultura, abrindo o caminho para uma cooperação mútua.Há planos de expansão da Emirates na América Latina?Sim, tanto no transporte de passageiros como de carga. Hoje, temos seis vôos semanais, mas, a partir de junho de 2008, serão diários. Também faremos as rotas Argentina e Chile para Dubai, com escala em São Paulo.Como seguir o Islã e expandir negócios com o Ocidente?A Emirates é uma empresa global, com 90 rotas internacionais e funcionários de mais de 100 nações. E Dubai é uma sociedade islâmica tolerante e flexível.

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