Aline Bronzati/Estadão
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XP desliga agente autônomo de R$ 9,5 bi por suspeita de acesso a dados sigilosos de clientes

Escritório do EQI, que vai sair da XP para abrir corretora com o BTG Pactual, ficou sem acessos da noite da última sexta-feira até o sábado; XP diz que notificou empresa e vai enviar hoje relatório ao Banco Central

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2020 | 10h15
Atualizado 27 de julho de 2020 | 21h20

Uma confusão envolvendo a XP e um de seus principais escritórios de agentes autônomos, responsável pela gestão de R$ 9,5 bilhões em ativos, foi o assunto do último final de semana nos grupos de WhatsApp da Faria Lima. Os operadores do mercado financeiro queriam saber por que o EQI Investimentos teve os seus acessos à plataforma de clientes de Guilherme Benchimol interrompidos na noite de sexta-feira, 24, até o sábado seguinte.  A empresa relatou o problema, dizendo que ficou sem informação nenhuma de seus clientes no período.

O assunto rapidamente chamou a atenção do mercado porque, dias antes, o EQI anunciou que deixaria a XP em 60 dias para montar sua própria corretora com o BTG Pactual, principal concorrente da XP. A operação vem sendo tratada como a maior investida do BTG sobre um mercado que, até então, a XP vinha nadando de braçada.   

Questionada, então, sobre a suspensão dos acessos, a XP informou que foi ela a responsável pelo desligamento. Segundo a corretora, o departemento de tecnologia teria suspeitado de uma operação não usual em sua rede. Após breve auditoria, a empresa identificou o que teria sido uma tentativa de captação indevida de dados dos clientes da corretora, por meio de um robô que operava em um dos endereços de acessos do EQI Investimentos.

"A XP informa que bloqueou temporariamente o acesso do EQI após identificar a tentativa de violação ao sigilo de dados dos clientes da XP por meio de um robô (crawler). Após notificação extrajudicial o acesso foi liberado novamente", diz a empresa, em nota.

Depois de notificar extra-judicialmente a empresa pelo ocorrido na manhã de sábado, a XP voltou a plugar o EQI em seus sistemas e teria passado o fim de semana compilando um relatório sobre o acontecido, que foi encaminhado nesta segunda-feira, 27, para o Banco Central.

Sem provas

O EQI informou na noite desta segunda que notificou a XP, extra-judicialmente, para que apresente provas das alegações feitas de que o escritório teria invadido o sistema da corretora para copiar e transferir informações sigilosas de clientes. A EQI pede uma retratação no prazo improrrogável de 48 horas, perante os veículos de comunicação, de acusações que considera falsas. Em nota, a EQI fala que a falta de uma retratação pública pode resultar em "medidas cíveis e criminais" e também afirma que os "técnicos da empresa acessaram a base de clientes como fazem todos os dias, seguindo o protocolo da XP".

A EQI diz também não haver "base ou provas nas acusações feitas pela XP", que também teria suspendido o acesso do escritório à sua base de clientes fora do tempo.

Bastidores

Nos bastidores, o incidente foi tratado com mais um epísódio da série de desentendimentos entre Guilherme Benchimol, presidente da XP, e Juliano Custódio, presidente da EQI. A relação dos dois é tida como difícil já algum tempo. Segundo fontes do mercado, o anúncio da saída da EQI da plataforma da XP, no dia 15 de julho, foi escolhido a dedo para acontecer no mesmo dia da palestra de Benchimol no principal evento da empresa no ano, o Expert XP. 

Dois dias depois do anúncio, o presidente da XP teria viajado até Balneário Camboriú (SC), onde é a sede do escritório de agentes autônomos e, segundo relatos de fontes próximas, Custódio saiu da cidade para não recebê-lo. A reunião com o presidente da XP teria sido realizada com outro sócios. "Era uma relação difícil. O Guilherme (Benchimol) é difícil e o Juliano já não aguentava mais. Apesar do André Esteves também ser complicado, o Juliano já colocou R$ 50 milhões no bolso com o negócio e, na pior das hipóteses, sai com um dinheiro que demoraria cinco, 10 anos para conseguir como agente autônomo", diz um executivo da operação.  

Nova corretora

Reportagem do Estadão/Broadcast da semana passada aponta que a estratégia do BTG em montar com a EQI uma corretora sinaliza uma nova estratégia de concorrência adotada por André Esteves, uma vez que dá ao EQI e a outros escritórios que eventualmente tenham interesse em adotar o mesmo modelo musculatura para bater de frente com a líder de mercado.

O banco BTG está ativo nesse sentido e, após levantar R$ 2,6 bilhões na bolsa, conversa com outros escritórios de agentes autônomos e não descarta a compra de participação em alguma das plataformas que neste momento buscam um sócio, de acordo com fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast. Na operação com o EQI, o BTG deverá ficar com uma fatia de 49,9% quando esta virar corretora, após a aprovação do Banco Central, e usufruir da plataforma digital e dos serviços do BTG. O negócio teria girado em torno de R$ 200 milhões, sendo 40% desse valar já depositado por Esteves. Os demais 60% vão obedecer regras de perfomance definidas em contrato./COLABOROU  CYNTHIA DECLOEDT

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