Felipe Rau/Estadao
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Paulo Bilyk: "Quem está comprado em 4 ou 5 ações corre risco grande de perder tudo"

XP Investimentos pede registro para abrir capital na bolsa de tecnologia Nasdaq

Companhia, que tem o Itaú como sócio, deve definir preço da oferta em dezembro; fundos General Atlantic e Dynamo deverão vender ações

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2019 | 18h31

A XP Investimentos protocolou nesta sexta-feira, 15, pedido de registro para realizar sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) na Secutities and Exchange Commission (SEC, órgão regulador do mercado de capitais americano), que deverá ter o preço definido na segunda semana de dezembro. A companhia confirmou que a oferta será realizada na Nasdaq, bolsa americana conhecida por abrigar empresas de tecnologia. O IPO da XP foi antecipado pela Coluna do Broadcast.

O prospecto preliminar da oferta ainda não traz detalhes sobre a operação, como volume a ser vendido ou faixa indicativa de preço, mas mostra que a oferta será primária, com a venda de novas ações que injetará recursos no caixa da companhia; e também secundária, com a venda de ações existentes. Venderão ações os sócios controladores da XP, e os fundos de private equity General Atlantic e Dynamo. O Itaú, como o esperado, não participará da operação.

No documento, a XP aponta que suas ações serão divididas em duas classes, sendo que os detentores das ações da “classe B” terão 10 vezes mais votos do que os que tiverem as ações “classe A”. Essa estrutura é denominada no mercado como uma ação “super ordinária” e tem sido utilizada nos IPOs de empresas de tecnologia. Esse modelo, contudo, não é permitido pela legislação brasileira. Assim, no IPO serão vendidas apenas as ações da “classe A”.

O prospecto diz que as ações da XP Controle são de “classe B”, ao passo que as detidas pelo Itaú, que possui 49% da XP, e o fundo General Atlantic terão suas ações divididas entre papéis de classe A e B.

Porte e história

A XP informa que possui 1,5 milhão de clientes ativos, por meio de suas três marcas, a própria XP, Rico e Clear. Ao todo são R$ 350 bilhões sob custódia, uma receita de R$ 3,7 bilhões e um lucro líquido de R$ 699 milhões de janeiro a setembro.

Da oferta primária, que injetará recursos no caixa da XP, o prospecto aponta que o objetivo é o lançamento de novos serviços, como banco digital, pagamentos e seguros. Além disso, os recursos poderão financiar potenciais aquisições, atender a necessidades de capital de giro relacionadas à expansão do negócio e acelerar a busca de novos clientes por meio de investimentos em marketing e publicidade.

Em carta no prospecto, o presidente e fundador da XP, Guilherme Benchimol, destaca a história da companhia, que fundou quando tinha 24 anos. Benchimol diz que aprendeu a “sonhar grande” e que a visão da XP era de ser disruptiva em um mercado concentrado no sistema bancário. “Estamos muito orgulhosos dessa nova fase que estamos entrando e seguimos motivados para superar obstáculos e fazer o impossível”, diz.

Em 2017 a XP chegou a fazer o pedido para abrir o capital na bolsa brasileira, mas os planos foram interrompidos com a proposta de compra feita pelo Itaú Unibanco. Agora, dois anos e meio depois a corretora retoma os planos mas deixa de lado o Brasil, em busca dos elevados múltiplos que as empresas de tecnologia têm encontrado nas bolsas americanas. A favor da XP, ao contrário de outras aberturas de capital do setor de tecnologia, conta o fato de a empresa já possuir resultados robustos.

Os bancos coordenadores da oferta são o Goldman Sachs, JPMorgan, Morgan Stanley, XP Investimentos, Itaú BBA, Bofa, Citi, Credit Suisse e UBS.

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