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XP vê expansão de CRAs neste ano com forte demanda por renda fixa

Certificados de Recebíveis do Agronegócio são impulsionados com a escalada da Selic vista no último ano

Clarice Couto e Isadora Duarte, O Estado de S. Paulo

10 de janeiro de 2022 | 05h00

A grande procura de investidores por títulos de renda fixa, estimulada pela escalada da Selic no último ano, deve continuar impulsionando emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e outros títulos usados pelo agro para captar recursos, como debêntures. É o que prevê Pedro Freitas, responsável por agronegócio no banco de investimentos da XP. Até novembro, empresas do setor captaram R$ 18,5 bilhões em CRAs, cerca 28% em operações realizadas pela XP. Para 2022, a perspectiva é de R$ 25 bilhões a R$ 30 bilhões em captações, a maior parte de CRAs. “O ano será de volatilidade, mas vemos o potencial dos emissores de CRA e a demanda por renda fixa.”

Atrativo para investidores e tomadores

O sócio-fundador da securitizadora Ecoagro, Moacir Teixeira, endossa a perspectiva e estima de R$ 25 a 26 bilhões em CRAs em 2022. Há um ano, lembra, CRAs com retorno de CDI (similar à Selic) + 5,5% rendiam a investidores 7,5% ao ano. Hoje, 14,75%.

Mais um bolso para títulos do agro

O desenvolvimento do mercado de Fiagros (fundos focados em ativos do agronegócio) será outro estímulo aos CRAs neste ano, acredita Freitas, já que alguns investem no papel. A XP estrutura três fundos para o primeiro trimestre e espera ofertar no mínimo R$ 4 bilhões em Fiagros no ano, prevê ele.

De olho no agro

AQUÉM. O mercado de máquinas agrícolas fechou 2021 com alta de 20% nas vendas, estima o vice-presidente da New Holland Agriculture para a América Latina, Rafael Miotto. Poderia ter sido melhor, diz ele, não fosse a persistente crise global da cadeia de abastecimento, em especial de pneus e componentes eletrônicos, que não consegue atender à indústria na velocidade necessária. “Ficamos com gostinho de quero mais. Tem muito produtor querendo comprar, mas as empresas estão com dificuldade para produzir.”

INTERROGAÇÃO. A procura por maquinário segue aquecida, conta Miotto, sustentada por altos preços dos produtos agrícolas e perspectiva de boa safra, ainda que os equipamentos tenham ficado mais caros – só o aço subiu 35% no ano. Mesmo com o esperado aumento das taxas dos empréstimos, acompanhando a Selic (que saiu de 2% ao ano em janeiro de 2021 para 9,25% agora), ele estima aumento de 5% a 10% do mercado em 2022. “Há interesse em investir. Já vendemos o previsto para o 1.º semestre e boa parte do 2.º.”

DE VOLTA. Um total de 1.977 fazendas pecuárias voltou a fornecer gado à Marfrig no ano passado. As propriedades precisaram regularizar suas práticas socioambientais para retomar a parceria. A Marfrig calcula que estas propriedades representem 30% das fazendas que abasteceram a empresa no ano passado, o equivalente a 558.559 animais abatidos. A ação integra o Plano Marfrig Verde+, pelo qual ela pretende alcançar 100% da cadeia de fornecimento sustentável. 

NA COPA. A Adroit Robotics, de sensores inteligentes para pomares, prevê quadruplicar neste ano a área de citros monitorada com o uso da tecnologia Leafsense, dos atuais 3,5 mil para 20 mil hectares. A ampliação elevará sua participação no mercado a 6%, ante 1% hoje, conta Angelo Gurzoni Jr, diretor de Tecnologia. A receita deve crescer 2,5 vezes, para cerca de R$ 2 milhões. A ferramenta permite a contagem das árvores, avaliação de frutos, estimativas de safra e detecção de doenças.

EXPANDE. Parte dos novos pomares a serem monitorados pela Adroit deve vir de parceria com a rede de distribuidores da Bayer. Ela prestará o serviço a partir de 2022 e expandirá aos Estados do Paraná e Santa Catarina o trabalho hoje concentrado em São Paulo. As primeiras lavouras de manga devem entrar no portfólio da startup neste ano. Em 2023, a estreia será em maçãs.

Giro

Preços dos fertilizantes devem continuar elevado

Produtores continuarão pagando caro por adubos. Analistas dizem que uma eventual queda nas cotações internacionais tende a ser anulada pela valorização do dólar ante o real, o que encarece os insumos importados. “O cenário para este ano, com eleições, é de incerteza cambial, o que traz impacto às cotações locais”, diz Bruno Fonseca, analista do Rabobank. 

Vem aí

Estimativas da safra 21/22 no radar do mercado

O mercado de grãos volta a atenção nesta semana para números da produção brasileira de grãos 21/22. À medida que a estiagem aumenta, consultorias privadas vêm cortando suas previsões em virtude das perdas no Sul do País. Amanhã, o IBGE e a Conab atualizam suas estimativas de safra.

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