Xstrata seria a 'mais conveniente' para a Vale, diz banco

A mineradora anglo-suíça Xstrata seria "o mais conveniente entre os possíveis alvos de compra da Vale mais freqüentemente mencionados, e a Alcoa, o menos lógico", na avaliação do banco de investimentos americano Lehman Brothers. Em relatório divulgado hoje, o banco analisou cada uma das combinações possíveis para a Vale."Não nos surpreenderíamos se a Vale estiver emitindo ações agora para construir um tesouro de guerra, a fim de tentar comprar a Xstrata quando os mercados de crédito melhorarem e quando ela então tiver a capacidade de financiar uma aquisição deste porte", afirmou o Lehman, comentando a oferta de ações no valor de até US$ 15 bilhões, arquivado pela Vale na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) há duas semanas. Segundo o banco, o valor da compra da Xstrata poderia ficar perto dos US$ 120 bilhões."Uma aquisição da Xstrata a um preço razoável seria provavelmente muito positiva para o preço da ação da Vale no longo prazo", disse o Lehman. "Contudo, ficaríamos muito surpresos se o presidente da Vale, Roger Agnelli, abordasse o conselho agora e recomendasse a compra da Xstrata a um preço mais alto do que eles pagariam se tivessem antes, quando de fato estavam negociando com a Xstrata", ressalvou.Anglo AmericanNo que se refere à Anglo American, o Lehman afirmou que a companhia também seria um alvo de compra desafiador para a Vale e o banco não descarta a possibilidade de uma transação, que "poderia agregar valor significativo para a Vale". O banco observou, porém, que a mineradora brasileira enfrentaria alguns "importantes obstáculos" para uma fusão com a Anglo. Como principal mineradora da África do Sul, o negócio poderia enfrentar "séria intervenção" do governo sul-africano, "especialmente se o comprador for uma companhia, como a Vale, visto como sendo influenciado por um governo estrangeiro".O Lehman apontou ainda que a integração com a Anglo seria mais difícil e teria limitada sinergia operacional, além do fato de que a África do Sul é uma região muito difícil para as mineradoras, "especialmente com as questões de energia de longo prazo no país".AlcoaEm relação à Alcoa, o Lehman não acredita que a companhia seja um alvo muito provável, porque no setor de alumínio a Vale está se concentrando na parte de exploração do canal de produção. Já a Alcoa, notou o Lehman, tem operações muito grandes em distribuição, e seu novo presidente pretende aumentar ainda mais a exposição a este segmento.Freeport-McMoranA compra da Freeport-McMoRan, segundo o Lehman, é possível, mas não altamente provável, porque exigiria o pagamento de um prêmio de 50% ou mais. "Mais do que os acionistas de outras companhias em nosso universo de cobertura, os da Freeport-McMoRan parecem acreditar que as ações da empresa estão brutalmente subavaliadas no mercado", disse o Lehman.

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