Yellen alerta sobre preocupações com aumento da desigualdade social

Operadores de mercado que esperavam que a presidente do Fed desse mais sinais sobre a política monetária, mas ela não falou diretamente sobre o programa do BC dos EUA

Lucas Hirata, O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2014 | 10h41

SÃO PAULO - A presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, disse nesta sexta-feira, 17, que a diferença crescente na renda e riqueza nos EUA é uma grande preocupação para ela, ressaltando que, embora o aumento da desigualdade tenha "pausado" durante a recessão, a ampliação nas desigualdades foi retomada na recuperação.

"A extensão e a continuidade do aumento da desigualdade nos Estados Unidos me preocupam muito", disse Yellen, um discurso preparado para uma conferência do Fed de Boston sobre a desigualdade econômica.

As desigualdades de renda e riqueza nos EUA "vem crescendo de maneira mais ou menos constante durante várias décadas, em medida maior do que na maioria dos países avançados", disse. E embora esta tendência tenha registrado "uma pausa" durante a Grande Recessão, "a desigualdade crescente foi retomada na recuperação", disse Yellen.

A pausa na desigualdade crescente ocorreu devido a "maiores perdas de riqueza para aqueles que estão no topo da distribuição" e aumento em gastos com programas, como auxílio-desemprego, que ajudaram a "compensar algumas perdas de rendimento para aqueles abaixo do topo", disse.

Este é um tema incomum a ser abordado pela presidente do banco central norte-americano, uma vez que ela normalmente se atém a questões como as taxas de juros, inflação e desemprego. Mas Yellen sente claramente que a tendência é suficientemente ampla e sustentada que está tendo um efeito negativo sobre o desempenho da economia norte-americana.

Operadores de mercado que esperavam que Yellen desse mais sinais sobre suas perspectivas em relação a política monetária se mostraram frustrados. Yellen não falou diretamente sobre o programa de política monetária do Fed. 

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