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Yellen indica que Estados Unidos podem elevar juros antes do previsto

WASHNGTON - Próximas de zero desde a crise de 2008, as taxas de juros nos Estados Unidos podem subir mais cedo do que era esperado pelo mercado, de acordo com indicações dadas ontem pelo Federal Reserve (Fed). Na primeira entrevista coletiva desde que assumiu a presidência do banco central americano, em fevereiro, Janet Yellen surpreendeu analistas ao sugerir que a alta pode ter início antes da metade de 2015.

Cláudia Trevisan, correspondente, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2014 | 02h04

Até ontem, a expectativa era de que o movimento só começaria no fim de 2015. Segundo Yellen, a mudança pode ocorrer ao redor de "seis meses" depois do fim do tapering, como é chamado o processo de redução da compra de títulos do Tesouro e bônus lastreados em hipotecas pelo Fed.

Com essas aquisições, o banco central mantém os juros de longo prazo também próximos de zero, gerando um estímulo monetário adicional ao crescimento econômico.

Estímulos. O Comitê de Mercado Aberto Federal (Fomc, na sigla em inglês), do Fed, anunciou ontem um novo corte de US$ 10 bilhões no volume mensal de aquisição desses ativos, que passará de US$ 65 bilhões para US$ 55 bilhões. Se for mantido o mesmo ritmo, o estímulo estará totalmente eliminado entre setembro e outubro, o que colocaria o horizonte de seis meses de Yellen em março ou abril do próximo ano.

Apesar de ter dado uma estimativa de tempo, a presidente do Fed ressaltou que qualquer decisão dependerá da situação do emprego e do comportamento dos preços. Se a inflação continuar muito abaixo da meta de 2%, os juros seriam mantidos no atual patamar de até 0,25% por um período mais longo.

Reação. O mercado reagiu de maneira imediata às declarações de Yellen. O índice Dow Jones caiu 167 pontos, para 16.130, nos minutos seguintes ao comentário sobre os seis meses. As ações se recuperaram parcialmente e fecharam em 16.222 pontos, uma queda de 0,7%. Também houve alta no rendimento de títulos do Tesouro americano - o juro pago pelos papéis com prazo de dois anos chegou a registrar a maior elevação desde 2011.

No Brasil, o dólar à vista, que estava sendo negociado em queda durante a manhã, mudou de tendência e fechou em alta de 0,47%, a R$ 2,3520.

Reunião. A expectativa de que os juros podem subir antes do esperado foi reforçada pelas estimativas dos 16 participantes da reunião de ontem do Fomc, que projetaram taxas mais elevadas do que na reunião de dezembro. De acordo com as previsões divulgadas pelo Fed, 10 das 16 pessoas presentes no encontro acreditam que os juros estarão em 1% ou mais no fim de 2015. Em dezembro, 10 dos 17 participantes viam as taxas abaixo de 1% no mesmo período.

As estimativas também são mais elevadas para 2016, com 12 das 16 pessoas prevendo juros em 2% ou mais no fim do ano. Na projeção anterior, 9 dos 17 participantes viam juros abaixo de 2% em 2016.

Yellen minimizou a importância dessas previsões, que aparecem em um gráfico com pontos, cada um representando um participante da reunião do Fomc. "Os pontos vão se mover ao longo do tempo", afirmou. Segundo ela, o que é relevante é a determinação do Fed de manter os juros próximos de zero pelo período suficiente para a recuperação do emprego e a volta da inflação ao patamar de 2% - o índice está na casa de 1%.

A redução na compra mensal de ativos em US$ 10 bilhões é a terceira no mesmo valor anunciada desde dezembro. A manutenção do ritmo é uma indicação de que o Fed não considerou os recentes dados negativos sobre atividade econômica decepcionantes o bastante para interromper o processo de retirada do estímulo monetário.

Otimismo. Yellen avaliou que o Fomc foi excessivamente otimista nas projeções divulgadas em dezembro, que se tornaram ainda mais distantes da realidade pelo impacto de um inverno mais rigoroso que o usual.

As projeções são de continuidade do processo de aceleração do crescimento. "O Comitê acredita atualmente que há suficiente vigor nos fundamentos em geral da economia para sustentar a corrente melhoria nas condições do mercado de trabalho", disse o comunicado do Fomc.

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