YouTube pode perder músicas de John Lennon

YouTube pode perder músicas de John Lennon

Segundo empresário que representa portfólio do ex-Beatle e de outros artistas, empresa não paga direitos autorais

O Estado de S.Paulo

24 Dezembro 2014 | 02h01

Os advogados de Irving Azoff, um dos principais empresários musicais do mundo, ameaçaram o YouTube com um processo no valor de US$ 1 bilhão se o site não retirar todos os vídeos de alguns de seus clientes, como Pharrell Williams, Eagles e John Lennon.

O YouTube não teria licença de reprodução de cerca de 20 mil canções administradas pela companhia Global Music Rights, propriedade de Azoff - o equivalente a aproximadamente 40% de seus clientes.

Em novembro, o YouTube anunciou o lançamento de um serviço de música por assinatura para concorrer com o Spotify e o Pandora. No entanto, para poder reproduzir a música, o site têm de obter uma licença.

Os advogados de Azoff informaram o YouTube da situação e ameaçaram com um processo caso as negociações não levem a um acordo. A ação seria específica contra o YouTube e não incluiria outros serviços semelhantes, pois estes têm sido bons parceiros da indústria.

"Eles (o You Tube) são os que se mostraram menos cooperativos e a companhia e os clientes consideram que foram os piores infratores", afirmou Azoff em declarações ao site The Hollywood Reporter.

Em mensagem no Twitter, Azoff afirmou que o "YouTube sabe que não tem licença da GMR (Global Music Rights) e se recusa a provar que tem qualquer outro tipo de direito para transmitir as canções dos autores da GMR".

Além das canções de Williams, Eagles e Lennon, a ação incluiria ainda músicas de Smokey Robinson e George e Ira Gershwin.

Poder. Em 2012, Azoff foi eleito pela revista Billboard como a pessoa mais poderosa da indústria musical. Até 2013, o executivo era presidente da produtora de eventos Live Nation. Com a Global Music Rights, ele busca uma atuação mais agressiva em prol dos direitos autorais de dezenas de artistas importantes da indústria global.

"A maneira como fãs escutam música está evoluindo", disse Azoff ao THR. "A GMR dará a compositores e editoras musicais a oportunidade de se envolver com uma forma séria de licenciamento. O pisoteamento dos direitos autorais sem qualquer preocupação com sua contribuição ao processo criativo não será mais tolerado."

Desafio. A iniciativa de Azoff vem sendo considerada um desafio difícil para o Google e para todo o setor de streaming, ainda mais impactante do que a recente ação da cantora Taylor Swift, que retirou todos os seus álbuns do serviço Spotify.

A cantora explicou que deixou o Spotify por se sentir "desvalorizada" e não concordar com a disponibilização gratuita de seus álbuns. "Acho que as pessoas deveriam sentir que existe um valor naquilo que os músicos criaram", disse a cantora em entrevista à revista americana Time.

O presidente do Spotify, Daniel Ek, defendeu-se dizendo que a empresa já pagou US$2 bilhões a artistas e que a conta "continua aumentando".

Enquanto isso, o próprio YouTube estreou no terreno do streaming musical pago por meio do recém-lançado serviço de assinatura Music Key.

Embora o YouTube seja considerado o maior site de streaming do mundo, ele ainda não oferecia a modalidade paga. O Music Key permite, por exemplo, selecionar clipes para serem assistidos posteriormente, mesmo sem conexão à internet. Ele também remove os anúncios antes dos vídeos, que são impopulares entre os usuários.

Em dezembro, a Billboard e a Nielsen SoundScan, que compilam a tradicional parada de sucessos norte-americana, passaram a incluir dados de streaming e downloads digitais ao cálculo. A novidade representou a maior mudança da parada de sucessos desde 1991, quando a revista começou a utilizar os dados da SoundScan - inovação revolucionária para a época, já que a parada era compilada a partir de pesquisas com lojas de discos.

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