Zapatero decide mudar estratégia da Espanha na AL

O primeiro-ministro da Espanha, José Luis Zapatero, decepcionado com seus amigos latino-americanos, principalmente após as decisões do presidente boliviano, Evo Morales, sobre a ruptura dos contratos com as empresas multinacionais de petróleo e gás, decidiu mudar de estratégia na América Latina, aproximando-se dos mais moderados, os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do México, Vicente Fox, afastando-se do venezuelano Hugo Chavez e de Morales. Falta de confiança corresponde a falta de investimentos no país. Essa ameaça paira no ar em vários países europeus, inclusive na França, depois do presidente boliviano ter afirmado que não pagará nenhuma indenização às 26 empresas que exploravam o gás e o petróleo no seu país.No encontro de Viena, na Áustria, Zapatero voltou a reclamar, agora pessoalmente, garantias concretas para os interessados da espanhola Repsol, que é o segundo investidor no setor petrolífero no país - depois da brasileira Petrobras - movimentando 1 bilhão de euros e controlando 10% de suas reservas. Ao assumir o poder na Espanha, Zapatero passou a ser o dirigente europeu mais próximo, admirador de líderes populistas latino-americanos como Chávez, Lula e, mais recentemente, o próprio Morales. Hoje, Zapatero parece bem mais afinado com as preocupações de organizações como a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômicos (OCDE), que vê no populismo "um fator de instabilidade política e econômica". Continente Hoje, o continente latino-americano representa 5% das importações e exportações espanholas, mas representou entre 1993 e 2004 cerca de 35% dos investimentos espanhóis no exterior, um total de 115 bilhões de euros. Zapatero, nessas últimas semanas, procura se afastar de seus parceiros latino-americanos que o decepcionaram, preconizando uma maior cooperação com os seus colegas europeus e com os Estados Unidos. Se não se espera resultados significativos da quarta reunião de cúpula União Européia-América Latina - diante das fortes divisões constatadas entre os quase 60 chefes de governo e de Estado presentes - o encontro serve para uma maior coordenação entre os europeus que multiplicaram, em Viena, seus contatos bilaterais.

Agencia Estado,

12 de maio de 2006 | 15h26

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