Zimbábue corta 10 zeros da moeda para enfrentar hiperinflação

Inflação anual oficial, de 2.200.000%, é a mais alta do mundo e provoca escassez de alimentos

Reuters,

30 de julho de 2008 | 11h42

O Zimbábue vai cortar 10 zeros de sua moeda a partir de agosto, informou nesta quarta-feira, 30, o presidente do banco central do país, Gideon Gono, em mais uma tentativa de acalmar uma economia assolada pela hiperinflação. Mas analistas disseram que a medida não terá efeito contra a crise, que atribuem à política do presidente Robert Mugabe. A inflação oficial disparou a 2.200.000%, a mais alta do mundo, e provocou escassez de alimentos e de moeda estrangeira.     Veja também: Zimbábue cria nota de 100 bilhões para driblar inflação"O dólar zimbabuano será redenominado em 1 para 10, o que significa que estamos removendo 10 zeros do valor monetário. Dez bilhões de dólares (zimbabuanos) serão reduzidos para 1 dólar a partir de 1o de agosto", disse Gono em transmissão televisiva. Os preços estão disparando diariamente em meio à dificuldade das pessoas para sobreviver. Na semana passada, foi lançada a nota de 100 bilhões de dólares zimbabuanos. As empresas justificam os aumentos como a única forma de evitar o colapso. Gono removeu três zeros da moeda local no meio de 2006 para tornar mais fácil a vida dos consumidores, que eram forçados a carregar enormes pilhas de dinheiro para fazer as compras mais simples. A medida, no entanto, foi sucedida por altas acentuadas nos preços. Neste mês, o governo começou a distribuir bens primários com subsídio e silenciosamente elevou o salário de seus funcionários para uma média de 2 trilhões de dólares. Isso equivale a 33 dólares no mercado oficial e apenas 3 dólares no mercado paralelo. O salário é suficiente para pagar 10 jornadas ao trabalho, nas tarifas atuais, ou para comprar oito pães. Mugabe acusa as empresas de elevar os preços injustamente como parte de um complô mais amplo para incitar as pessoas contra seu governo. Na quarta-feira, ele alertou as companhias que o governo vai determinar medidas emergenciais caso elas continuem a explorar os consumidores. Nesta quarta, Gono elevou o limite de saques diários de 100 bilhões de dólares zimbabuanos para 2 trilhões de dólares zimbabuanos, o que, na opinião de analistas, está ainda muito longe das necessidades diárias individuais. "Isso (o corte de zeros) é só para superar a dificuldade absurda de se lidar com todos esses zeros, mas isso não enfrenta a raiz do problema", disse John Robertson, consultor econômico.  "O problema é a escassez de capitais estrangeiros e de fluxo de investimentos. Eu gostaria de ver o governo removendo a obrigatoriedade de 51 por cento da propriedade em todos os novos investimentos." Mugabe sancionou neste ano uma lei que dá a proprietários locais o controle majoritário de empresas estrangeiras, incluindo minas e bancos.    

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