Zoellick diz que protecionismo é 'decisão estúpida' Sem proposta, Brics pedem saída para a crise

Brasil criou expectativa que ofereceria socorro para a Europa, mas os Brics se limitaram a pedir 'saída rápida para a crise'

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE/ WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2011 | 03h05

A expectativa gerada pelo governo brasileiro de ajuda dos emergentes Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) à Europa foi esvaziada quando os ministros de Finanças desse fórum se reuniram ontem em Washington, em paralelo ao encontro de outono do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Ao final da discussão, os ministros apresentaram à imprensa um comunicado vazio de sugestões. Em vez da oferta de socorro financeiro, mesmo em caráter simbólico, demandaram da União Europeia uma "solução rápida, ousada e em conjunto" para a sua crise da dívida soberana e bancária.

"O epicentro da crise está na Europa. Mas, os países europeus estão demorando para encontrar uma solução. Em 2008, os Brics e o G-20 (grupo das principais economias desenvolvidas e emergentes) tomaram decisões rápidas, ousadas e em conjunto, o que permitiu uma rápida solução", afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Os europeus têm de ser rápidos, ousados e cooperativos. A cada dia que passa, a crise se torna mais ampla e mais difícil de ser resolvida", concluiu.

Só, se necessário. Os Brics mostraram-se somente "abertos a considerar, se necessário," seu apoio financeiro por meio do FMI ou de outra instituição internacional.

Ainda assim, ressalvaram que essa eventual ajuda dependerá das "circunstâncias individuais dos países" membros. Na semana passada, em Brasília, Guido Mantega antecipara o objetivo dos Brics de discutir, em Washington, uma ajuda para "a União Europeia sair dessa situação".

O ministro não chegou a negar os rumores sobre uma potencial compra de títulos dos países europeus mais vulneráveis pelos Brics. Até anteontem, Mantega defendia abertamente a ajuda financeira à Europa via aportes ao FMI.

Sem sugestões pontuais a oferecer, os Brics preferiram chamar a atenção para a necessidade de fortalecimento do G-20, fórum de coordenação de políticas praticamente abandonado pelos Estados Unidos e pelos países europeu desde 2010, e também do FMI.

Em contraste com o aumento de barreiras ao comércio levantadas entre seus sócios, os Brics divulgaram no comunicado seu compromisso de maior "solidariedade" no comércio e no setor financeiro.

IPI. Confrontado pela imprensa sobre o efeito protecionista da decisão anunciada pelo governo na semana passada, que aumentou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis e caminhões importados, Mantega afirmou não ser essa medida protecionista, mas de estímulo a investimentos.

"Não há restrição ao comércio", insistiu Mantega, para provocar risos na plateia.

Diante da instabilidade econômica mundial, os países devem evitar tomar "decisões estúpidas" como o protecionismo comercial, pediu ontem o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, ao abrir a assembléia anual da instituição, em Washington. A economia mundial enfrenta momentos perigosas que requerem líderes valentes, advertiu Zoellick. "Não tomem decisões estúpidas, não deixem que o mundo opte pelo protecionismo", disse.

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