Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Zoellick, dos EUA, exige Alca e descarta negociação com Mercosul

O representante dos Estados Unidos para o Comércio, Robert Zoellick, negou hoje as duas pretensões do governo Luiz Inácio Lula da Silva sobre as negociações comerciais em andamento. Logo depois de um encontro de cerca de 90 minutos com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, Zoellick descartou o início da negociação direta entre o Mercosul e os EUA e o atraso no prazo para a conclusão da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), previsto para 1.º de janeiro de 2005. O principal negociador americano valeu-se da declarada ambição do Brasil em firmar-se como líder da América do Sul como argumento em favor da continuidade da Alca e ainda deixou claro que a redução de subsídios agrícolas será um objetivo que o País alcançará apenas se estiver aliado aos Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC). Ao deixar o Ministério da Fazenda, Zoellick disse ter trazido ao governo brasileiro algumas "idéias pragmáticas sobre como fomentar e avançar o processo da Alca". Lembrou que, até a reunião ministerial da Alca em Miami, em novembro, os presidentes Lula e o americano George W. Bush e seus negociadores terão várias oportunidades para desfazer os atuais impasses. Primeiro, ambos se encontrarão em Evian, na França, no próximo dia 2, paralelamente à reunião do G-8. Logo depois, no dia 20, os dois presidentes se reunirão em Washington. Além disso, os EUA estão organizando também para meados de junho uma minirreunião ministerial em Maryland, da qual participariam os ministros da área comercial de apenas 13 dos 34 países envolvidos na negociação. "Daqui para a frente, os meses serão decisivos", afirmou, descartando um possível 4+1. "Então, esse é o momento de arregaçar as mangas e começar a trabalhar." Em vários momentos de uma improvisada entrevista à imprensa, Zoellick reiterou que o foco dos EUA está no avanço das negociações da Alca, e o Brasil, como co-presidente deste processo, tem igualmente responsabilidade pelo seu êxito. Com habilidade, Zoellick retomou pontos-chave da política externa do presidente Lula como pretextos para que o Brasil não escape de seus compromissos em continuar nessas negociações. "A nossa ênfase está no êxito da Alca. É nesse objetivo que vamos centrar nossa atenção, para concluí-la até 2005." O destaque ao cumprimento do prazo de conclusão da Alca - algo que vem sendo tratado mais como um indicador do que um compromisso pelo Itamaraty - foi outra constante na entrevista. O representante americano também se desfez, com cuidado, da reivindicação do Brasil e de seus sócios para que os EUA tragam para as negociações da Alca tópicos que pretendem tratar apenas na OMC, como subsídios agrícolas e regras para aplicação de medidas antidumping e compensatórias. Ao negar essa possibilidade, Zoellick reiterou que a eliminação de subsídios dependerá do apoio que os EUA obtenham na OMC a sua oferta sobre o tema. "Uma das coisas que faço nessa visita é solicitar ajuda ao Brasil para obter a redução dos subsídios dos europeus e dos japoneses."

Agencia Estado,

27 de maio de 2003 | 18h59

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.