Zoellick, dos EUA, responsabiliza Brasil pelo fracasso de Cancún

O representante comercial dos Estados Unidos, Robert Zoellick, responsabilizou o Brasil e outros países em desenvolvimento pelo fracasso das negociações comerciais em Cancún. Segundo ele, se esses países ?foram sérios? na busca de um acordo, eles ?exageraram na mão? da retórica. Em artigo publicado pela edição online do jornal Financial Times - no momento em que se realiza a reunião anual conjunta do FMI e do Banco Mundial -, no qual emprega um tom duro e menciona várias vezes o Brasil, Zoellick afirmou que, diante do impasse na Organização Mundial de Comércio (OMC), o governo norte-americano vai continuar promovendo acordos bilaterais de livre-comércio com os países dispostos a isso. No artigo, intitulado ?A América não vai esperar?, o ministro norte-americano afirma que o encontro de Cancún poderia ter chegado a um resultado diferente. ?Apenas algumas semanas antes, trabalhamos juntos para resolver o difícil tema de assegurar que os países em desenvolvimento pobres possam outra vez ter acesso a medicamentos de baixo custo protegendo, ao mesmo tempo, a propriedade intelectual?, disse Zoellick. ?Mas, em Cancún, as táticas daqueles que sempre dizem ´não´ prejudicaram aqueles que teriam os subsídios agrícolas e tarifas cortados, estimulando reforma na política agrícola nos Estados Unidos, União Européia, Japão, Canadá e em outros lugares.?Segundo o principal negociador comercial dos Estados Unidos, ?eles perderam uma oportunidade de abrir os mercados dos países ricos gradualmente para outros países em desenvolvimento?. Zoellick disse que ?os países em desenvolvimento fundamentais empregaram a retórica da resistência como uma tática para colocar pressão nos países desenvolvidos e desviar atenção de suas próprias barreiras comerciais?. Segundo ele, a tarifa média para a agricultura no Brasil é de 37%, na India é de 112% e no Egito é de 62%. Nos Estados Unidos, a média é de 12%. Além disso, ?as tarifas médias desses três países sobre bens manufaturados é dez vezes maior do que a média norte-americana, de 3%?. Zoellick salientou que após os Estados Unidos terem pressionado a União Européia para reduzir mais as suas barreiras, o país pediu ao Brasil e outras potências agrícolas para trabalhar com ele. Segundo Zoellick, no entanto, ?o Brasil declinou, se voltando, em vez disso, para a India, um país que nunca apoiou mercados abertos, como uma forma de enfatizar a divisão Norte-Sul, não a agricultura global.?

Agencia Estado,

22 de setembro de 2003 | 10h52

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