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Zoellick não espera muito da visita ao Brasil

O ministro do comércio exterior dos Estados Unidos (USTR), Robert B. Zoellick, que desembarca na terça-feira em Brasília para dois dias de importantes conversas com o mais alto escalão do governo Lula ?é bastante realista e não espera muito dessa visita, a não ser discutir algumas idéias sobre como avançar? nas negociações do acordo de criação da Área de Livre Comércio das Américas, a ALCA, disse um alto funcionário do governo americano ao Estado. ?Não diria que Zoellick está particularmente pessimista?, acrescentou a fonte, que descreveu a atitude do enviado americano nos seguintes termos: ?Eu vou lá ver o que precisa ser feito?.Ciente das resistências que existem dentro do Itamaraty para levar adiante os entendimentos sobre a ALCA, que o Brasil e os Estados Unidos presidem conjuntamente, a fonte da administração Bush indicou que a hipótese de trabalho de Washington é que a posição do governo brasileiro não necessariamente refletirá a visão anti-ALCA de setores da diplomacia brasileira. ?Não estamos seguros sobre o que está acontecendo no lado brasileiro?, disse. ?O que sabemos é que há muita movimentação e (os ministros) devem ter um encontro para estabelecer uma posição para (os encontros) com Zoellick?.O alto funcionário manifestou a esperança de que as idéias e atitudes que o Brasil apresentará nas conversas com o chefe do USTR reflitam mais a disposição dos ministros da Fazenda, Antonio Palocci, e da Agricultura, Roberto Rodrigues, que defendem uma estratégia de engajamento do Brasil nas negociações da ALCA e de busca agressiva de um acordo que seja do interesse do País. Tal estratégia não apenas corresponde aos objetivos da política econômica do governo Lula como parece fazer mais sentido do ponto de vista político. Ela pouparia o Brasil do ônus de um insucesso da ALCA, que é considerado provável, pelo menos no primeiro prazo de janeiro de 2005 previsto para a conclusão do acordo. O economista Gary Hufbauer, um especialista em comércio do Instituto de Economia Internacional, disse em recente entrevista ao Estados que são os Estados Unidos e não o Brasil que ameaçam o avanço das negociações da ALCA e podem levar a seu fracasso. "Se os EUA mantiverem sua linha atual de negociar subsídios agrícolas e outros temas que interessam ao Brasil somente na Rodada Doha da Organização Mundial de Comércio, podemos dizer adeus à ALCA", disse Hufbauer.Segundo ele, "são os Estados Unidos que estão sendo obstrucionistas no que se refere a produtos agrícolas sensíveis, pois as posições americanas são derivadas das pressões dos grupos de interesse, são políticas e não podem ser justificadas com base em princípios". Alarmados com "a ameaça" competitiva da agricultura brasileira, representantes do lobby agrícola dos EUA pediram mais proteção e subsídios em audiência pública no Senado americano, na semana passada. Horas depois, o presidente da Comissão de Finanças do Senado, Charles Grassley, republicano de Iowa e fazendeiro, pediu à administração Bush um estudo sobre causas dos ganhos de produtividade e competitividade da agricultura brasileira e o que isso representa para o agricultores americanos. A idéia de encaminhar a negociação da ALCA por um trilho bilateral Mercosul-EUA, que Brasília favorece, não conta com a simpatia de Zoellick. ?Nós sabemos das limitações políticas que o Zoellick enfrenta para negociar questões do nosso interesse e ele sabe das nossas limitações?, disse um alto funcionário brasileiro.?Vamos sentar e discutir tudo, vamos explorar os limites de cada lado e vamos buscar um caminho?.A preocupação dos dois lados de reduzir as expectativas sobre os possíveis resultados da visita de Zoellick não significa que a agenda das conversas do representante não seja ambiciosa. O enviado americano tem reuniões confirmadas com pelo menos quatro ministros ? o chanceler Celso Amorim, Palocci, Rodrigues e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan - e pediu para ver também o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice José Alencar e o chefe da casa civil do Planalto, José Dirceu. A reunião mais longa, com Amorim, incluirá um almoço e terminará com uma entrevista coletiva. Zoellick pediu também à embaixada americana para organizar um jantar com intelectuais e formadores de opinião.Funcionários americanos e brasileiros disseram na semana passada que o convite que o presidente George W. Bush fez ao presidente Lula para uma reunião de cúpula em Washington, no dia 20 de junho, pouco tem a ver com a visita de Zoellick. ?Não será um encontro sobre comércio, mas um diálogo mais amplo que deverá envolver ministros de várias áreas?, disse um alto funcionário americano. ?O fato de o convite ao presidente Lula ter sido anunciado antes da visita de Zoellick mostra que não há relação entre uma coisa e outra?, disse um diplomata brasileiro, chamando atenção para o desejo americano de explorar ?uma relação estratégica com o Brasil, parceiro essencial no hemisfério?, que o subsecretário de Estado para Assuntos Políticos, Marc Grossman, manifestou em entrevista ao Estado, na semana passada.Seria ingenuidade, porém, imaginar que o resultado da visita de Zoellick não afetará a agenda do encontro Lula-Bush no mês que vem. ?Se a visita de Zoellick a Brasília não for bem, os presidente Bush e Lula falarão mais sobre comércio em Washington??, perguntou o alto funcionário americano. ?Claro que sim?.

Agencia Estado,

25 de maio de 2003 | 14h07

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