Zoellick nega isolamento do Mercosul na negociação da Alca

O representante comercial norte-americano Roberto Zoellick, negou hoje que a intenção dos Estados Unidos, ao iniciar ontem negociações bilaterais e unilaterais com países latino-americanos - República Dominicana, Panamá, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru - seja a de isolar o Mercosul dentro da negociação mais global da Alca. "O que tentamos fazer foi particularizar as necessidades de cada país, pois os países da América Central têm necessidades diferentes das do Mercosul. Ao mesmo tempo, observamos que alguns países do hemisfério estão mais interessados em seguir adiante com acordos comerciais mais avançados do que outros", afirmou Zoellick. Segundo ele, os Estados Unidos, ao iniciar negociações bilaterais, não estão fazendo nada de diferente do que o Brasil e o Mercosul fazem ao negociar bilateralmente com a União Européia, por exemplo. "Não vemos tudo isso como arranjos exclusivos. O que nós estamos fazendo, na realidade, é uma estratégia de construção em bloco", disse. Zoellick disse que até mesmo no âmbito do Mercosul ele vê diferenças importantes. Na sua avaliação, alguns países do Mercosul estão mais dispostos em avançar na integração comercial do que outros. Ele citou a Argentina, com a qual os Estados Unidos tem uma acordo bilateral de investimento, como sendo um desses países. "Para a Argentina, o comércio internacional é muito importante para solucionar os problemas financeiros que o país tem tido. Somente através do comércio a Argentina pode crescer", afirmou Zoellick. Sobre a discussão do comitê negociador comercial, feita entre 20 ministros, ele disse que foram construtivas e que se conseguiu avançar. O comitê entrega hoje aos ministros de Estados de 34 países um rascunho para se negociar a declaração final em Miami. Sobre as dificuldades políticas e as resistências que a Alca encontra em vários países da América Latina, Zoellick disse que parte é em razão de uma ansiedade natural para mudanças e parte é o debate natural que envolve o assunto. "Discussão sobre comércio também é algo difícil nos Estados Unidos e a questão é que temos de explicar melhor os benefícios de uma liberalização comercial".

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