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E-Investidor: O passo a passo para montar uma reserva de emergência

Zogbi na mira da Fibria e Nine Dragons

Empresa criada pelo ex-dono da Ripasa está em conversações com grupos nacionais e estrangeiros para viabilizar projeto de R$ 2,5 bi

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2014 | 02h05

O empresário Osmar Zogbi, ex-dono da empresa de papel Ripasa, deu início a conversas com as gigantes chinesa Nine Dragons e a brasileira Fibria para viabilizar os investimentos bilionários projetados pela Eco Brasil Florestas, da qual é acionista, em Tocantins, apurou o 'Estado'. Zogbi está em busca de um investidor estratégico para construir sua primeira fábrica de celulose no norte do Estado, com início das operações previstas entre 2017 e 2018.

Fundada em 2007, a Eco Brasil Florestas é o maior projeto florestal independente do Brasil. Presidida por Zogbi, a companhia tem como acionistas ex-donos da Ripasa, que somam participação de 36,5% (na holding ZBA); a Claritas Investimentos, com 20,9%; a FBS (BRZ Investimentos), com 19,8%; o grupo Safra, com 19,5%; outros, com 3%.

Os acionistas já investiram R$ 500 milhões no plantio de eucalipto e a empresa obteve R$ 100 milhões de financiamento do Banco da Amazônia S. A. (Basa) para dar continuidade aos projetos florestais.

Ao Estado, Zogbi confirmou que mantém conversas com um grande grupo brasileiro e outro chinês, mas não citou nomes. "Também estamos falando com grupos americanos." Segundo ele, essas conversas ainda estão no início. Zogbi negou que esteja negociando com a americana International Paper.

O projeto de Zogbi é investir R$ 1 bilhão em florestas no norte de Tocantins até 2017. O total dos investimentos atingirá R$ 2,5 bilhões, com a construção da fábrica, para produzir 1,5 milhão de toneladas de celulose por ano. Para isso, o empresário busca parceiros fortes para colocar em prática seus planos.

A companhia já adquiriu 120 mil hectares, dos quais 40 mil já foram plantados. A expectativa é atingir 180 mil hectares, dos quais metade com recursos próprios. O restante virá de arredamentos e expansão por meio de bancos de fomento.

O plantio está concentrado no norte do Estado, onde a fábrica também deverá ser erguida. Segundo Zogbi, a distância média entre a área plantada e futura fábrica deverá ser de 60 km de distância. "Temos recebido o apoio do governo de Tocantins e de vários municípios."

Segundo ele, a logística para o escoamento de sua futura produção é privilegiada. "Estamos do lado da ferrovia Norte-Sul e escoaremos via Itaqui (MA)."

Procurada, a Fibria não comenta o assunto. A Nine Dragons, uma das maiores importadoras globais de aparas e sobras de papel e celulose, não retornou aos pedidos de entrevista. A empresa é presidida pelo chinês Liu Ming Chung, que viveu no Brasil entre as décadas de 70 e 80.

A companhia chinesa importa celulose de companhias nacionais, entre elas a Eldorado. O executivo encontrou-se recentemente com os altos executivos da Eldorado, apurou o Estado. Procurada, a Eldorado afirmou que a empresa chinesa é uma de suas clientes. A Nine Dragons também teria entrado em contato com o empresário Mario Celso Lopes, ex-fundador da Eldorado, que está adquirindo florestas no Centro-Oeste, afirmam fontes.

Concentração. Fontes de mercado afirmam que a concentração no setor de papel e celulose no Brasil é uma questão de tempo. A Fibria (união da VCP com Aracruz) é apontada como a grande consolidadora no País. No ano passado, a companhia manteve conversas com a Suzano para uma possível associação, segundo fontes. A Suzano nega. A Fibria não comenta o assunto sobre Suzano e Zogbi.

A Eldorado também é apontada como empresa alvo da Fibria. "Faria todo o sentido, uma vez que as duas têm projetos no Mato Grosso do Sul", afirmou uma fonte do mercado financeiro. No entanto, a Eldorado tem pela frente um grande desafio, que é buscar investimentos para viabilizar sua expansão. Desde o ano passado, a companhia negocia aportes e estava em negociações com fundos de pensão Funcef e Petros. Fontes ligadas à Eldorado negam que a companhia esteja à venda. A empresa segue em negociações para levantar cerca de R$ 7,5 bilhões para crescer, segundo as mesmas fontes.

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