Zona do euro avalia nova ajuda grega, números se deterioram

Ministros das Finanças da zona do euro reuniram-se nesta quarta-feira para discutir como manter a Grécia viva conforme as negociações entre Atenas e seus credores internacionais se aproximam de uma conclusão sobre as reformas que o país tem que implementar para receber nos empréstimos emergenciais.

JAN STRU, Reuters

31 Outubro 2012 | 12h10

A Grécia precisa avançar com cortes de gastos e medidas tributárias avaliadas em 13,5 bilhões de euros, assim como com uma série de reformas econômicas para satisfazer a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) e garantir dinheiro de resgate para evitar a bancarrota.

Os ministros receberam mais notícias ruins pouco antes de sua teleconferência, quando Atenas reduziu em mais da metade sua estimativa de um superávit orçamentário antes dos custos do serviço da dívida no próximo ano, apagando um de seus poucos pontos de brilho uma vez que rodadas de austeridade aprofundam uma recessão já no seu quinto ano.

Atenas estima uma contração econômica de 4,5 por cento em 2013, o que elevará sua dívida pública para um recorde de 189,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). O superávit primário está estimado em apenas 0,4 por cento, abaixo do 1,1 por cento previsto anteriormente.

Os credores da Grécia não estão discutindo no momento outro corte da dívida, afirmou o coordenador dos ministros das Finanças da zona do euro, Thomas Wieser, mas diplomatas da UE dizem que outras maneiras de estender os empréstimos oficiais estão sobre a mesa.

Nenhuma decisão deve ser tomada na teleconferência de quarta-feira, mas ministros da zona do euro debatem as opções antes de uma reunião decisiva em 12 de novembro.

Diplomatas disseram que incluíram o alongamento dos vencimentos e a redução da taxa de juros nos empréstimos existentes, deixando a Grécia recomprar sua própria dívida com desconto com dinheiro emprestado e lhe permitindo emitir mais notas do Tesouro de curto prazo.

Wieser afirmou à rádio alemã que participou de discussões com autoridades da "troika" --Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional-- nos últimos dois dias.

"Em nenhuma dessas rodadas de discussões e negociações a palavra 'corte' foi mencionada", disse Wieser, acrescentando que as especulações da imprensa sobre a questão "não têm nada a ver com o trabalho da troika".

"As negociações (entre a Grécia e a troika) ainda não estão finalizadas", acrescentou.

A troika está preparando um relatório sobre a sustentabilidade da dívida grega e avaliando maneiras de encontrar financiamento extra para a Grécia alcançar um superávit primário, que exclui pagamentos de juros, de 4,5 por cento do Produto Interno Bruto em 2016 e não em 2014.

Uma estimativa da troika apresentada às autoridades das Finanças da zona do euro na semana passada mostrou que a Grécia precisará de mais 30 bilhões de euros em financiamento nos próximos dois anos.

Wieser afirmou que será "muito, muito difícil" para a Grécia alcançar a meta original, dada a profundidade de sua recessão, um ponto de vista destacado pela estimativa revisada desta quarta-feira.

Os últimos números sobre o orçamento, entretanto, confirmam que o país está no caminho para alcançar um superávit primário pela primeira vez desde 2002, após um déficit de 1,5 por cento em 2012.

PASOK APOIA REFORMAS

Um acordo sobre o restabelecimento do segundo resgate para a Grécia, paralisado em junho porque o país não avançava com suas reformas, depende de a coalizão do poder adotar reformas trabalhistas severas.

A maioria dos legisladores socialistas concordou na terça-feira em votar a favor das contestadas reformas, disseram autoridades do partido à Reuters, elevando a probabilidade de o governo vencer uma votação parlamentar que se tornou o seu maior teste desde que assumiu o poder em junho.

Após meses de negociações sobre o plano de austeridade, o primeiro-ministro, Antonis Samaras, anunciou que as negociações haviam sido finalizadas e implorou que seus aliados apoiassem o pacote.

O partido Nova Democracia, do primeiro-ministro, e o socialista PASOK têm entre eles 160 deputados, nove a mais do que precisam para uma maioria absoluta no Parlamento.

Mas a terceira parte na coalizão, o Esquerda Democrata, recusa-se a apoiar as novas leis trabalhistas propostas, o que poderia induzir outros deputados a desertar e deixar o governo com uma votação imprevisível na próxima semana.

"O que acontecerá se o acordo não for aprovado e o país for levado ao caos?", disse Samaras em um comunicado. "Tais perigos têm que ser evitados. Essa é a responsabilidade de cada partido e de todo legislador individualmente."

O Esquerda Democrata respondeu imediatamente reiterando que irá votar contra as medidas, que incluem acabar com aumentos automáticos de salários e cortes de indenizações.

O governo inclui uma série de medidas de austeridade no orçamento de 2013 apresentado nesta quarta-feira, com as medidas restantes e reformas trabalhistas em uma proposta separada a ser apresentada ao Parlamento na segunda-feira.

(Reportagem adicional de Gareth Jones em Berlim, Harry Papachristou e Renee Maltezou em Atenas)

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