Zona do Euro chega a acordo sobre ajuda à Grécia com FMI

Os líderes da zona do euro chegaram a um acordo sobre uma ajuda conjunta da Europa e do Fundo Monetário Internacional (FMI) à endividada Grécia na cúpula da União Europeia (UE) nesta quinta-feira, num esforço para restaurar a confiança no euro.

JAN STRU, REUTERS

25 de março de 2010 | 19h43

O acordo, chamado por um porta-voz do governo grego de "totalmente aceitável" após semanas de discussões na UE sobre se e como ajudar a Grécia, foi, segundo uma fonte, endossado no final desta quinta-feira por líderes das 16 nações da zona onde a moeda comum é adotada.

O plano de ajuda não incluiu nenhum número, mas uma fonte sênior da Comissão Europeia disse que o pacote de resgate estaria entre 20 e 22 bilhões de euros (27-29 bilhões de dólares) caso seja requerido numa emergência.

"O plano respeita totalmente nossas exigências... nós concordamos", afirmou à Reuters George Petalotis em Bruxelas.

"Há um plano muito bom que será anunciado em breve", acrescentou. "Consideramos isso como uma mensagem de estabilidade e o plano terá um impacto positivo na economia grega."

Questionado se todas as nações da zona do euro estão prontas para aprovar o acordo, Petalotis disse: "Sim, eles concordaram".

Ele afirmou que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, o premiê grego, George Papandreou, e o presidente da União Europeia (UE), Herman Van Rompuy, definiram os detalhes do acordo.

"(O plano) incluirá a participação de países da zona do euro e do FMI, em menor escala", afirmou Petalotis.

Fontes da União Europeia disseram que os países da zona do euro deverão arcar com dois terços dos custos com o pacote de resgate pensado na condição de "standby", enquanto o FMI responderia por um terço das despesas.

Porém, os rígidos termos impostos pela chanceler alemã, Angela Merkel, significam que o mecanismo poderia ser ativado somente sob condições restritas e exigiria aprovação unânime da zona do euro, dando a Berlim a possibilidade de veto.

O custo da garantia da dívida grega contra um default caiu por notícias do acordo, e o prêmio pago a investidores para comprar títulos da dívida grega em comparação às notas alemãs diminuiu. Contudo, as taxas permanecem mais que o dobro do spread de Irlanda e Portugal ante os mesmos títulos alemães e quatro vezes mais que o da Espanha.

O BCE também deu um importante passo para dar suporte à Grécia ao estender regras mais flexíveis sobre empréstimos colaterais para que Atenas não arrisque a ação de uma guilhotina sobre sua dívida no final do ano.

O ministro de Finanças da Grécia, George Papaconstantinou, disse que a Grécia espera nunca fazer uso de um plano de ajuda de seus parceiros da zona do euro.

"A Grécia quer continuar captando recursos nos mercados", afirmou Papaconstantinou a jornalistas em Bruxelas. "Esperamos nunca ter de ativar o mecanismo de ajuda."

(Colaboraram Marcin Grajewski, Lefteris Papadimas e George Georgiopoulos em Bruxelas e Dave Graham em Berlim)

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