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Zona do euro concorda em aumentar capacidade de empréstimos

Os ministros das Finanças da zona do euro concordaram nesta sexta-feira em aumentar a proteção financeira para evitar uma nova piora da crise da dívida soberana na Europa, mas ainda não se sabe se os mercados e os parceiros do G20 (grupo que reúne as 20 principais economias do mundo) vão considerar o impulso suficiente.

FRANCESCA LANDINI E ROBIN EMMOTT, REUTERS

30 de março de 2012 | 19h15

O bloco da moeda única concordou em combinar dois fundos de resgate para disponibilizar 500 bilhões de euros em novos recursos em caso de emergência até meados de 2013, além dos 200 bilhões de euros já comprometidos em resgates para Grécia, Irlanda e Portugal.

A Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia) havia proposto elevar o montante total para 940 bilhões de euros, dos quais 740 bilhões de euros seriam fundos ainda não comprometidos, mas a Alemanha mostrou resistência com o valor mais alto.

A reação inicial do mercado foi positiva, com o rendimento dos bônus espanhóis caindo, à medida que investidores avaliavam a decisão dos ministros e esperavam orçamento mais austero da Espanha.

"A decisão de hoje é um clássico compromisso europeu. Foi o tanto que o governo alemão estava disposto a aceitar e foi o mínimo que a maioria dos outros países da zona do euro esperava", disse Carsten Brzeski, economista do ING, em Bruxelas.

"Obviamente, um maior aumento em linha com as opções discutidas anteriormente poderia ter enviado um sinal mais forte e teria sido mais convincente", acrescentou.

"Com o aumento de hoje, o papel do BCE (Banco Central Europeu) como a brigada de incêndio da zona do euro provavelmente continuará."

Um comunicado oficial anunciou que os ministros haviam elevado a capacidade combinada de empréstimo do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF, na sigla em inglês), que é temporário, e do Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira (ESM, em inglês), que é permanente, para 700 bilhões de euros, a partir de 500 bilhões.

"O teto atual geral de empréstimos ESM/EFSF... será aumentado para 700 bilhões de euros", disse o comunicado. "Juntando tudo, a zona do euro está mobilizando uma proteção global de aproximadamente 800 bilhões de euros, mais de 1 trilhão de dólares."

No entanto, o valor mais elevado inclui dinheiro já desembolsado do EFSF, um fundo de resgate menor controlado pela Comissão Europeia e os empréstimos bilaterais que os países da zona do euro estenderam à Grécia no primeiro resgate.

Os 500 bilhões em nova capacidade de empréstimo para os fundos combinados até julho de 2013 levam em consideração o fato de que o ESM não irá iniciar suas operações em plena capacidade, mas irá aumentar conforme o capital for pago ao longo de três anos.

Isso significa que 240 bilhões em fundos não comprometidos no EFSF poderiam ser aproveitados, se necessário, até que o ESM se torne maior.

O ministro das Finanças francês, François Baroin, disse que a decisão deu à Europa mais força para convencer outras grandes economias a aumentar os recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI) para combater o contágio da crise da zona do euro, se necessário.

"Estamos agora em uma posição forte para a discussão sobre o FMI em abril. É um bom sinal", afirmou Baroin.

Alguns investidores de bônus questionaram se o compromisso daria dinheiro suficiente para ajudar a Espanha, a quarta maior economia da zona do euro, se o país precisar de um auxílio para superar uma crise bancária devido ao colapso de uma bolha imobiliária.

"No final do dia, a questão chave é se esse poder de fogo novo é suficiente", disse Steve Barrow, chefe de estratégia para o G10 do Standard Bank em Londres.

"Claramente, se as coisas piorarem novamente, e especialmente se mais resgates forem necessários, a questão delicada de baixo financiamento do ESM/EFSF em relação à necessidade potencial de resgate voltará à tona."

Com os ânimos exaltados, o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, cancelou uma coletiva de imprensa agendada, afirmando que a ministra das Finanças austríaca, Maria Fekter, já havia anunciado o resultado.

Juncker disse que a nomeação de um novo membro do conselho executivo do Banco Central Europeu tinha sido adiada para meados de abril. Mais cedo, ele havia dito que o colega luxemburguês, Yves Mersch, era o mais forte candidato para o posto no BCE.

Diplomatas disseram que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, queria evitar um embaraço político com a provável escolha do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, que adversários poderiam retratar como um sinal de domínio alemão na zona do euro.

(Reportagem adicional de Annika Breidthardt, Swaha Pattanaik e Anirban Nag)

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