Zona do euro e FMI garantem acordo sobre redução de dívida grega

Os ministros das Finanças da zona do euro e o Fundo Monetário Internacional (FMI) chegaram a um acordo sobre como reduzir a dívida da Grécia na segunda-feira, numa ofensiva para liberar urgentemente empréstimos que mantenham o país solvente.

JAN STRU, Reuters

27 de novembro de 2012 | 08h41

Após 12 horas de negociações na terceira reunião em três semanas, os credores internacionais da Grécia concordaram com um pacote de medidas para reduzir a dívida grega em 40 bilhões de euros, cortando-a para 124 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) até 2020.

Numa nova promessa significativa, os ministros se comprometeram em tomar mais ações para diminuir a dívida da Grécia para "significativamente abaixo de 110 por cento" em 2022 --o reconhecimento mais explícito até agora de que algumas perdas em empréstimos podem ser necessárias a partir de 2016, o ponto quando é previsto que a Grécia atinja um superávit primário.

Para reduzir a enorme dívida, eles concordaram em cortar as taxas de juros sobre os empréstimo oficiais, ampliar o vencimento em 15 anos para 30 anos, e garantir a Atenas um adiamento de dez anos para pagamento dos juros.

"Quando a Grécia tiver atingido, ou estiver perto de atingir, um superávit primário e ter completado todas as condições, nós iremos, se necessário, considerar mais medidas para a redução da dívida total", afirmou o ministro da Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble.

O presidente do Eurogroup, Jean-Claude Juncker, afirmou que os ministros irão aprovar formalmente um grande desembolso necessário para recapitalizar fracos bancos da Grécia e permitir que o governo pague salários, pensões e fornecedores em 13 de dezembro.

A Grécia irá receber até 43,7 bilhões de euros em etapas, à medida que cumpre as condições. O desembolso de dezembro irá abranger 23,8 bilhões para os bancos e 10,6 bilhões em assistência orçamentária.

A parcela do FMI, menos de um terço do total, só será paga uma vez que uma recompra de dívida grega aconteça nas próximas semanas, mas a diretora-gerente do Fundo, Christine Lagarde, disse que o FMI não tem intenção de sair do programa.

Eles prometeram restituir 11 bilhões de euros em lucros acumulados para seus bancos centrais nacionais a partir de compras do Banco Central Europeu (BCE) de títulos do governo grego com desconto no mercado secundário.

Eles também concordaram em financiar a Grécia para recomprar seus próprios títulos de investidores privados, o que autoridades dizem ter uma meta fixada de custo de aproximadamente 35 centavos no euro.

O presidente do BCE, Mario Draghi, afirmou ao deixar a reunião: "Eu estou muito satisfeito com as decisões tomadas pelos ministros das Finanças. Elas irão certamente reduzir a incerteza e fortalecer a confiança na Europa e na Grécia."

(Reportagem adicional de Robert-Jan Bartunek, Ethan Bilby, Luke Baker em Bruxelas, Reinhardt Becker em Berlim)

Tudo o que sabemos sobre:
MACROGRECIAACORDO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.