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Zona do euro na deflação: o bom e o mau

Dependendo dos fatores responsáveis por ela e por sua duração, a deflação pode ser boa ou ruim; do lado positivo, pode funcionar como um corte de impostos

P. W., Economist.com

07 de janeiro de 2015 | 13h30


LONDRES - Os números divulgados nesta quarta-feira, 7, pela Eurostat confirmaram aquilo que os mercados já esperavam após a análise dos dados da Espanha e da Alemanha: os preços ao consumidor estão agora em queda em toda a zona do euro. A inflação se tornou negativa em dezembro, com os preços 0,2% abaixo do patamar observado em dezembro de 2013. É a primeira vez que a região passa por uma deflação desde 2009, quando a inflação ficou abaixo de zero por cinco meses (junho a outubro).

Como ocorreu em 2009, o início da deflação decorreu de uma queda no preço do petróleo, que atinge indiretamente o preço da energia. O "núcleo" da inflação (que exclui os preços de energia, alimentação, álcool e tabaco) chegou a aumentar em dezembro para 0,8%, ante 0,7% em novembro.

Dependendo dos fatores responsáveis por ela e por sua duração, a deflação pode ser boa ou ruim. Um breve período de deflação ligado a uma queda no preço do petróleo é algo positivo, pois funciona como um corte nos impostos. Trata-se de um incentivo oportuno para a moribunda economia da zona do euro. Embora aparentemente o clube da moeda única tenha evitado uma recessão em 2014, o crescimento se tornou tão anêmico que isso fez pouca diferença. Os índices de atividade nos setores de serviços e manufatura para os três últimos meses de 2014, calculados pela firma Markit, foram os mais fracos desde o terceiro trimestre de 2013, indicando que o crescimento permaneceu fraco no final de 2014.

A deflação é ruim se persistir e as pessoas e empresas começarem a contar com uma queda nos preços. Isso pode levar ao adiamento dos gastos, já que faria sentido esperar para fazer compras e pagar preços mais baixos no futuro. Um período prolongado de deflação alijaria a zona do euro, pois o endividamento público e privado é altíssimo em partes do bloco. O fardo real do endividamento, geralmente definido em termos nominais, aumenta quando os preços caem.

A preocupação com uma deflação na zona do euro está na possibilidade de isso sublinhar as expectativas já baixas para a inflação, ou reduzi-las ainda mais. Um breve período de deflação benéfica impulsionado pela queda no preço do petróleo pode se converter num período contínuo de deflação deletéria com base na fraqueza subjacente da economia da zona do euro e na expectativa de uma queda ainda maior nos preços.

Assim, o início de uma deflação na zona do euro tem ao mesmo tempo um lado positivo e outro negativo. Para acentuar os aspectos positivos e evitar os negativos, devemos dar mais garantias às empresas e aos indivíduos, mostrando que o período de queda nos preços terá curta duração e a inflação vai retornar à meta do Banco Central Europeu, pouco abaixo de 2%. O BCE pode fazer isso de maneira clara e convincente se anunciar um grande programa de afrouxamento quantitativo quando seu conselho de governo se reunir no dia 22 de janeiro.

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Da Economist.com, traduzido por Augusto Calil, publicado sob licença. O artigo original, em inglês, pode ser encontrado no site www.economist.com

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