Zona do euro precisa de condução econômica mais forte, diz BCE

A fragilidade da economia e das finanças públicas na zona do euro demonstra a necessidade de ampliar e fortalecer o amplo gerenciamento econômico na zona do euro, disse neste sábado o membro do conselho do Banco Central Europeu (BCE) Mario Draghi.

GAVIN JONES, REUTERS

13 de fevereiro de 2010 | 12h59

"O euro está sólido", afirmou Draghi em uma reunião de operadores do mercado em Nápoles. Mas ele pediu que a União Europeia amplie e reforme suas estruturas econômicas "com o mesmo vigor que dedicou ao longo dos anos para consolidar os orçamentos governamentais".

Draghi disse que os investidores vão comprar novos títulos emitidos pela Grécia, cuja crise da dívida causa nervosismo nos mercados nas últimas semanas, desde que o governo "ajuste seu orçamento com determinação, com monitoramento cuidadoso da Comissão Européia e do BCE."

Mais amplamente, ele disse que todos os governos deveriam esclarecer como planejam controlar déficits orçamentários e dívidas que cresceram durante a recessão de 2008 e a primeira metade de 2009.

A recuperação econômica da zona do euro é frágil e não há riscos de inflação a médio prazo, disse Draghi, que também é o dirigente do Banco da Itália.

A inflação na zona do euro vai subir apenas levemente da taxa de 1 por cento em janeiro e não "surgiu nenhum risco de inflação no médio prazo", acrescentou.

A perspectiva favorável para os preços, contudo, é acompanhada por uma hesitante recuperação econômica no bloco de 16 nações, comentou Draghi, que é cotado como um possível sucessor do chefe do BCE, Jean-Claude Trichet, quando o mandato dele expirar, em novembro de 2011.

"O retorno ao crescimento é frágil, particularmente na área do euro", disse Draghi.

A economia na zona do euro cresceu apenas 0,1 por cento no último trimestre de 2009, segundo dados divulgados na sexta-feira, desacelerando fortemente em relação ao 0,4 por cento de expansão no trimestre anterior.

Draghi afirmou que os bancos da Itália estão sadios e, tendo fortalecido sua base financeira, estão "bem posicionados para lidar com a situação internacional".

Eles terão de fazer "ajustes significativos" para atender às mudanças regulatórias propostas pelo Comitê de Basiléia, mas, apesar de tudo, "começaram de uma situação melhor do que outros sistemas bancários, em termos de qualidade de capital".

Uma nova rodada para testar a situação dos grandes bancos da UE começou nas últimas semanas e os resultados serão liberados no fim de junho, declarou Draghi.

Enquanto o sistema financeiro da Itália aparenta estar relativamente sólido, a economia do país está emergindo da recessão exatamente como entrou, observou Draghi, "com uma baixa taxa de crescimento, uma das menores da Europa."

A terceira maior economia da zona do euro se contraiu 4,9 por cento no ano passado, depois de ter encolhido 1 por cento em 2008. O Banco da Itália prevê para este ano expansão de apenas 0,7 por cento.

Tudo o que sabemos sobre:
MACRO, BCE, INFLACAO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.