Zona euro pode não sobreviver à crise na sua forma atual, diz OCDE

Em relatório, organização afirma que crise fiscal e bancária da zona do euro ainda é a maior ameaça à economia global

Clarissa Mangueira, da Agência Estado ,

27 de novembro de 2012 | 09h42

PARIS - A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirmou que a crise fiscal e bancária da zona do euro continua a ser a maior ameaça para a economia mundial e alertou que o bloco poderá não sobreviver na sua forma atual. "A zona do euro, que está testemunhando pressões de fragmentação significantes, pode estar em perigo", declarou o economista-chefe da OCDE, Pier-Carlo Padoan, em um relatório semestral sobre as previsões econômicas mundiais.

A trégua concedida pelos investidores em bônus da zona do euro desde o verão, que reduziu os custos dos empréstimos, pode ser de curta duração, alertou a OCDE. Segundo Padoan, a crise está sendo sustentada por "três reações negativas que amplificam choques e interações". Os choques incluem a ligação entre a solvência dos bancos e governos e os temores de que um país vai deixar a zona do euro, elevando os custos dos empréstimos e tornando uma saída do euro mais provável. Os custos mais altos de empréstimos geralmente tornam mais difícil para os governos controlarem suas dívidas.

"Nós não acreditamos que a crise da zona do acabou", afirmou o economista. "A fragilidade na zona do euro continua, as reações negativas entre bancos e governos ainda estão lá."

Segundo a OCDE, uma união bancária de pleno direito é essencial para quebra do link entre os problemas financeiros enfrentando por bancos e pelos governos. "Diante desse cenário frágil não é difícil imaginar uma situação na qual alguma coisa dá errado", declarou Padoan.

A organização alertou que a crescente frustração popular com a austeridade e suas consequências poderão também ser fatais para zona do euro. "O aumento do desemprego poderá desencadear uma fadiga de reforma e resistência social", disse o economista.

Os economistas da OCDE calculam que o "multiplicador fiscal" que determina o impacto dos cortes orçamentários no crescimento pode ser dois terços maior que o previsto anteriormente, e disse que as medidas de austeridade adotadas reduziram o crescimento econômico entre os 34 países membros da organização em até 1,25 ponto porcentual neste ano.

O impacto sobre alguns membros da zona do euro poderá ser ainda maior, afirmou a OCDE. "O impacto negativo a curto prazo da consolidação poderia ser ainda maior... em alguns países da zona do euro, onde a fraqueza pré-existente e sistemas financeiros disfuncionais podem limitar a capacidade das famílias e empresas para diminuir gastos diante do aperto fiscal adicional", disse a organização. As informações são Dow Jones.

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