Zona Franca tem prejuízo de R$ 1 bi com greve de fiscais

Já chega perto de R$ 1 bilhão o prejuízo causado nas empresas da Zona Franca de Manaus pela greve dos auditores da Receita Federal, hoje em seu 31º dia. No aeroporto e no porto de Manaus há cerca de US$ 150 milhões em mercadorias paradas.Com estoques de componentes importados praticamente zerados, 18 empresas mantinham paradas algumas linhas de produção até ontem. Cerca de 7 mil trabalhadores foram colocados em licença remunerada."As indústrias de Manaus e seus fornecedores locais já deixaram de faturar quase R$ 1 bilhão", diz Wilson Périco, presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Amazonas (Sinaees).A greve pode travar os desembarques no Porto de Santos, o maior da América Latina, ainda esta semana. Ontem, o congestionamento de contêineres já comprometia 92% da capacidade de operação dos terminais de Santos. "Mais um pouco, vai se tornar inviável a operação de descarga no porto", afirma José Roberto Campos, diretor-executivo da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegários.Para ele, o estrangulamento deverá levar os armadores a desviarem seus navios para portos no Uruguai e na Argentina. "O importador brasileiro vai ter um sobrecusto para trazer as mercadorias para o País." As exportação brasileiras devem começar a ser afetadas também. "Se continuar nesse ritmo, deve começar a faltar contêineres vazios para o transporte dos produtos nacionais já na semana que vem ", diz Campos. Ricardo Ribeiro, diretor da CNH, fabricante de máquinas agrícolas e para construção, diz que a companhia deve "perder cerca de 200 tratores este mês por falta de peças importadas", se a greve continuar. O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos (Sindipeças), Paulo Butori, diz que de 20 a 22 empresas do setor estão paradas ou prestes a parar. "Estamos gastando até 30% a mais com frete aéreo para atender clientes na exportação." Já os importadores de carros reclamam do alto custo logístico de deixar os modelos nos portos, afirma o presidente da Associação Brasileira das Empresas Importadores de Veículos (Abeiva), Jörg Henning Dornbusch. Na marca BMW, a espera por um modelo subiu de 15 para 40 dias.Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, a greve já ameaça o cumprimento de contratos de exportação das montadoras.

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