Zuanazzi critica Jobim ao deixar presidência da Anac

Desgastado pela crise aérea iniciadahá um ano, o engenheiro Milton Zuanazzi anunciou nestaquarta-feira que deixa o cargo de presidente da AgênciaNacional de Aviação Civil (Anac). A demissão já havia sidoadiantada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, na véspera. Zuanazzi, que afirmou que entregará a carta de demissãodiretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse queestá saindo por não concordar com as idéias de Jobim. Ele passou cerca de duas horas defendendo a agência dasacusações de má gestão da crise aérea em uma entrevistacoletiva na sede da agência, em Brasília. Zuanazzi disse que Jobim não respeita a autonomia entre osagentes e acusou o ministro de desinformação sobre ofuncionamento de aeroportos. "Quando o ministro afirma na CPI que no aeroporto deCongonhas, se o DAC existisse o acidente (da TAM) não teriaacontecido, é uma absoluta desinformação do histórico doaeroporto." Na próxima semana, Jobim, que defendia a saída de Zuanazzi,deve indicar para a presidência da Anac a economista SolangeVieira, titular da recém-criada Secretaria de Aviação Civil. Aindicação dela terá de ser encaminhada pela Presidência aoSenado. Zuanazzi chefiava a agência desde o ano passado. Os quatrodemais diretores da agência já caíram e vêm sendo substituídospor pessoas da confiança de Jobim. A crise aérea teve início após o acidente da Gol, ocorridoem setembro de 2006, em que morreram 154 pessoas. Na sequência,o caos tomou os aeroportos brasileiros com filas e falta deinformação aos passageiros. A situação foi creditada, em parte,à atuação dos controladores do tráfego aéreo, que chegaram arealizar uma greve. Em julho, um novo acidente aéreo, desta vezno Aeroporto de Congonhas, colocou em cheque a gestão de todo osistema aéreo e levou à troca de comandos no ministério daDefesa, na Infraero e na Anac. Duas CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito) foramrealizadas para investigar a situação. A da Câmara sugerepunições aos pilotos do acidente da Gol e a do Senado, que votao relatório nesta quarta-feira, pede o indiciamento de 23pessoas, sendo 21 ligadas à Infraero, a estatal que administraos aeroportos. Zuanazzi acertou a saída da Anac com o ministro dasRelações Institucionais, Walfrido Mares Guia, por telefone naterça-feira. A interferência de Mares Guia se explica porque oministro participou da indicação de Zuanazzi para a Anac. Os dois se aproximaram na época em que Mares Guia ocupou apasta do Turismo e Zuanazzi, gaúcho de Bom Jesus, erasecretário Nacional de Políticas de Turismo do ministério, de2003 a 2006. Antes, foi secretário do setor no Rio Grande doSul. Na segunda-feira, Jobim empossou um novo diretor da Anac, omajor-brigadeiro-do-ar Allemander Pereira Filho. Também já foram aprovados pelo Senado os nomes dosdiretores Marcelo Guaranys e Alexandre Barros, que tomarãoposse assim que suas nomeações forem publicadas no DiárioOficial da União. Na terça-feira, o presidente em exercício,deputado Arlindo Chinagla (PT-SP), assinou o ato de nomeaçãodesses dois novos dirigentes.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.