LUCIA SEBE/SECOM MG
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Zurich Airport participará de leilões de aeroportos no Brasil, diz executivo

Segundo o presidente da empresa, Stefan Conrad, a companhia está 'pronta' para participar da próxima rodada de licitações, que deve acontecer em 2019 e oferecer 12 aeroportos

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2018 | 18h53

BRASÍLIA - À frente do grupo que administrada os aeroportos de Belo Horizonte/Confins e Florianópolis, o presidente da Zurich Airport Latin America, Stefan Conrad, confirmou nesta quinta-feira, 13, que o grupo participará das próximas concessões de aeroportos brasileiros.

O governo planeja leiloar mais 12 aeroportos – divididos em três blocos -, mas a próxima rodada de licitações deve ficar apenas para 2019, já sob o comando de um novo ocupante no Palácio do Planalto.

“Pela Zurich, não há necessidade de adiar próximos leilões. Estamos prontos para participar da próxima rodada nos três blocos. Preferiríamos até que o leilão fosse realizado mesmo em dezembro”, afirmou, lembrando que o grupo participou de todas as licitações do setor realizadas no País. “Não sei quem será o novo presidente do Brasil, mas não acredito que o País fará uma guinada de 180 graus que pare com o processo de privatizações do setor”, completou. 

Segundo Conrad, deve haver uma grande competição pelo bloco de aeroportos do Nordeste - Recife (PE), Maceió (AL), Aracaju (SE), João Pessoa (PB), Campina Grande (PB) e Juazeiro do Norte (CE) - e uma menor competição pelo bloco de Mato Grosso – Cuiabá, Sinop, Rondonópolis e Alta Floresta. O terceiro bloco, no Sudeste, engloba os aeroportos de Vitória (ES) e Macaé (RJ).

“Não temos uma preferência especial por algum dos blocos, vamos disputar todos”, enfatizou. “É difícil investir no Brasil, os riscos são maiores do que os riscos na Europa, mas os benefícios também são maiores”, considerou. 

Conrad confirmou ainda que a Zurich – em parceria com a brasileira IG4 – tem interesse na aquisição do aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), que está em recuperação judicial. Segundo o executivo, no entanto, esse interesse só se manteria até dezembro deste ano.  

Na região, além dos aeroportos brasileiros, a Zurich Airport administra os aeroportos chilenos de Antofogasta e Iquique, e tem participações nos aeroportos de Bogotá (Colômbia) e Curaçao. No ano passado, a o faturamento do grupo na América Latina chegou a US$ 1,037 bilhão.

“Queremos ser um grande player no mercado internacional de operação aeroportuária. Depois de uma participação temporária em Bangalore, na Índia, decidimos ter como foco a América Latina para investimentos”, acrescentou. “Sempre pensamos em projetos de longo prazo. Nunca pensamos apenas em cinco ou dez anos. Não somos apenas consultores, nós queremos estar presentes aqui por bastante tempo”, completou.

Confins

Ao falar sobre os investimentos do grupo no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, Conrad defendeu não haver a necessidade de construir uma segunda pista em Confins até 2022, conforme está previsto no contrato da concessão. Ainda assim, a empresa entregou o projeto para a construção da pista, mas ainda nãos recebeu uma aprovação do governo brasileiro.

“Com a crise econômica brasileira, temos um tráfego menor do que o que estava previsto no nosso plano de negócios. Por isso não faria sentido construir uma segunda pista agora, em função da menor demanda do setor. Seria estúpido fazer isso neste momento”, alegou. 

Sobre a eventual reabertura para voos comerciais no Aeroporto da Pampulha, o executivo também argumenta que Belo Horizonte não possuiria a demanda para ter dois aeroportos. A decisão está agora com o Tribunal de Contas da União (TCU). “Seria um mau sinal para os investidores”, completou. 

Florianópolis

O presidente da Floripa Airport, Tobias Markert, apresentou os resultados do primeiro semestre de administração do Aeroporto Internacional de Florianópolis pela Zurich. Ele lembrou o desafio de assumir um aeroporto que possui a pior avaliação entre os passageiros dentre os principais aeroportos do País. 

“Continuamos na 20ª posição, mas todos os indicadores melhoraram nesses seis meses e estamos chegando perto das notas médias dos outros aeroportos”, destacou.

Markert citou ainda as cobras de construção do novo terminal do aeroporto catarinense, que deve ser entregue em agosto de 2019, antes da previsão do contrato, que era de outubro de 2019. Com investimentos de R$ 550 milhões, o novo edifício será quatro vezes maior que atual e contará com dez pontes de embarque (fingers) – algo que não existe atualmente no aeródromo. 

“Mas temos ainda problemas com o acesso ao novo terminal, já que o governo de Santa Catarina não terminará trechos das pistas de acesso a tempo da inauguração do novo prédio”, lamentou. Segundo ele, há problemas com desapropriações na área para o início das obras de um trecho de apenas 1,1 quilômetro, o que forçará o acesso por outra rodovia, mais longa. “Com isso, os estudos de tráfico mostram que os passageiros podem levar até 1h30 do aeroporto até o centro de Florianópolis”, acrescentou.

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