Divulgação/Mauá Capital
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‘A cadeia de suprimentos é a próxima barreira de ESG’, diz sócia da Mauá Capital

Sócia da gestora defende criação de linhas de crédito para as cadeias de suprimento com metas ambientais, sociais e de governança

Entrevista com

Carolina da Costa, sócia da Mauá Capital

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2021 | 05h00

Com o olhar da sociedade e de investidores mais voltados para os temas ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês), a gestora Mauá Capital, do ex-diretor do Banco Central Luiz Fernando Figueiredo, decidiu trilhar um caminho diferente: criar linhas de crédito com metas ESG para a cadeia de suprimentos. Para Carolina da Costa, sócia da Mauá, o tema é de extrema relevância.

Ela prevê que a cadeia de suprimentos será a nova barreira de ESG. Por isso, as grandes companhias devem levar as exigências a todas as empresas menores conectadas a ela, segundo Carolina, que chegou na gestora em fevereiro de 2020 para liderar a área de Novos Negócios, ESG e Impacto.

Como funciona o crédito à cadeia de suprimentos com métricas ESG?

No nosso caso se trata de um financiamento estruturado, e esse tipo de recurso é mais necessário para pequenas e médias empresas. Com uma agenda sustentável, de mais longo prazo, elas conseguem atrair recursos para se financiar e, por fim, a cadeia se fortalece. Essa é a nossa agenda. Se trata de um Fidc (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), que permite a mistura de capitais numa cota. Todos precisam ter objetivos ESG e as taxas diminuem conforme as metas atingidas.

Em que etapa estão as empresas protagonistas das cadeias produtivas?

Há empresas em todos os estágios. Há aquelas que têm feito um trabalho de desenvolvimento dos fornecedores, de olho na dificuldade deles em se adaptar. Há outras que querem iniciar o apoio à sua cadeia. E existe um terceiro grupo com uma visão mais financeira. As empresas envolvidas no desenvolvimento da cadeia terão de investir.

Como as grandes empresas ajudam nesse processo?

As companhias fecham contratos de garantia de compra com o fornecedor, por exemplo. Tem de ter um ganha-ganha. A relação precisa ser simbiótica. A cadeia de suprimentos é, de longe, a fonte de maior impacto ambiental das atividades da indústria e do setor de serviços e será a próxima barreira ESG. As empresas menores necessitam de apoio e as grandes empresas terão de cumprir esse papel.

O interesse maior deve partir de empresas de quais setores?

Vejo maior interesse nesse momento de empresas de agropecuária, mineração e varejo, por uma questão de imagem. Elas têm sido mais cobradas. Mas as companhias que são grandes geradoras de resíduos também terão de se preocupar com essas questões.

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