Agência Petrobrás
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Acionista aperta fiscalização de companhias

Ainda que não faça parte de um grupo de pressão, investidor cobra transparência das companhias; em reação, empresas investem na comunicação com seus acionistas

Malena Oliveira, O Estado de S. Paulo

04 de agosto de 2015 | 07h00

Acionistas têm tido uma postura mais ativa em relação às questões do dia a dia das companhias em que investem e esse movimento tem motivado empresas de capital aberto a se prepararem melhor para atender às suas demandas. A pressão por mais transparência, agora imposta por regulação, e a ampliação do conhecimento do acionista são fatores que ajudam a explicar esse movimento.

Embora o momento da Bolsa não seja dos melhores, o acionista está mais “vigilante” e bem mais maduro do ponto de vista técnico, diz o superintendente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), José Alexandre Vasco. “Mesmo aqueles que não estão organizados em associações têm sido mais atentos e até mais informados ao trazerem suas questões.” Mario Vianna, gerente da CVM, complementa: “O investidor está acompanhando melhor as informações publicadas, sabendo como contextualizá-las”.

No ano passado, a CVM, que fiscaliza o mercado de ações, abriu 105 processos administrativos envolvendo 61 companhias, como Petrobrás, OGX e Usiminas. A contestação das decisões tomadas pela direção das empresas apareceu em segundo lugar no ranking dos temas mais questionados por acionistas, com 46 registros. Em primeiro, com 76 registros, estão as intermediações de títulos financeiros. Nesses casos, geralmente corretoras e gestoras de fundo são alvo de reclamação.

Ativismo. Ainda que recente no Brasil e no mundo, a organização de ativistas é uma tendência, como aponta o sócio da consultoria Deloitte, Bruce Mescher. Ele afirma que, muitas vezes, o movimento é visto de forma negativa. “Muitos ativistas são criticados por cuidar de seus interesses financeiros, mas a questão é: eles estão trabalhando para o benefício de todos os acionistas?”, pergunta.

Um exemplo de ativismo pode ser notado na Petrobrás: o conselho da estatal ficou mais exposto à opinião pública após o escândalo da compra da refinaria de Pasadena. Apesar de a maioria dos conselheiros da empresa ser eleita pela União – que controla a companhia –, a pressão de investidores com menor porcentual de ações faz com que decisões estratégicas sejam tomadas com mais cuidado, inclusve por conta da operação Lava Jato, que escancarou um esquema de corrupção na empresa. 

“Se não fossem os representantes dos acionistas minoritários no conselho da Petrobrás, muito do que vemos agora não estaria acontecendo”, diz o especialista em mercado de capitais do Veirano Advogados, Carlos Lobo, que aponta a criação da diretoria de governança como fruto dessas pressões. 

Na avaliação do vice-presidente do Ibri, Ricardo Garcia, o ativismo dos investidores é positivo: “O ativista é a voz de um grupo, mas precisa defender os interesses de todos: acionistas e companhia.”

Antecipar riscos. Em reação à postura mais ativa do acionista, empresas têm apostado em antecipar riscos e melhorar estratégias para lidar com essas demandas. Um estudo da Deloitte feito com 54 profissionais da área de Relações com Investidores (RI) de companhias brasileiras aponta que quase metade (47%) percebeu formas estruturadas de ativismo de investidores, na maior parte dos casos sobre assuntos estratégicos da companhia (plano de negócios, por exemplo).

Feita em parceria com o Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri), a pesquisa aponta que a aposta das empresas, segundo os participantes, é priorizar a comunicação direta com seus investidores e monitorar a base acionária.


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