Acionistas da Vale aprovam novos nomes para o conselho

Secretário-executivo do ministério da Fazenda e diretor do Bradesco BBI fazem parte do colegiado

Mariana Durão, O Estado de S. Paulo

17 Abril 2015 | 14h48

RIO - Os acionistas da Vale aprovaram nesta sexta-feira, 17, em Assembleia Geral Ordinária (AGO) a nova composição do conselho de administração da mineradora para o período 2015-2017. Foram eleitos como titulares por indicação da acionista controladora Valepar Tarcísio José Massote Godoy, atual secretário-executivo do ministério da Fazenda, e Fernando Jorge Buso Gomes. Também foi homologada a escolha de Lucio Azevedo na vaga dos empregados da Vale e de Antonio Miguel Marques como membro independente.

Gomes é diretor do Banco Bradesco BBI desde 2006, além de membro do conselho da Sete Brasil e da CPFL, entre outras empresas. Atualmente na Fazenda, na equipe do ministro Joaquim Levy, Godoy tem experiência no setor de seguros e foi diretor geral da Bradesco Auto Re até o ano passado. Ele também atuou como secretário do Tesouro Nacional entre 2006 e 2007.

O novo presidente da Previ, Gueitiro Matsuo Genso, foi mantido no assento que passou a ocupar este ano em substituição a Paulo Rogério Caffarelli, ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda, que renunciou em março.

Foram reeleitos ao conselho o ex-presidente da Previ, Dan Conrado; o presidente do BNDES Luciano Coutinho; o diretor de seguridade da Previ, Marcel Juviniano Barros; Sergio Alexandre Figueiredo Clemente, diretor vice-presidente executivo e membro do Comitê de Gestão Integrada de Riscos do Bradesco; Hiroyuki Kato, executivo da Mitsui; Oscar Augusto de Camargo Filho, consultor e membro do conselho da Valepar.

Também foi homologado na AGO o nome de Lucio Azevedo como representante dos empregados da Vale. Azevedo será o conselheiro titular na vaga dos empregados em lugar de João Batista Cavaglieri, presidente do Sindicato dos Ferroviários do Espírito Santo e Minas Gerais (Sindifer ES/MG). Maquinista, ele está na mineradora desde 1985 e é presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias dos Estados do Maranhão, Pará e Tocantins desde 2013.

Como não houve indicação para o conselho por parte dos acionistas minoritários foi aprovado o nome de Antonio Miguel Marques como membro independente do conselho. Engenheiro de minas, Marques foi diretor de não Ferrosos (2004) e Novos Negócios (2001 a 2003) da Vale. Também presidiu o conselho de administração da Camargo Corrêa.

Ao todo quatro nomes foram substituídos no conselho. Entre eles estão Mário da Silveira Teixeira Junior, indicado pela Bradespar e ocupante da vaga desde 2003, o vice-presidente de Gestão de Pessoas do Banco do Brasil, Robson Rocha, e José Mauro Mettrau Carneiro da Cunha, presidente do conselho de administração da Oi e ex-BNDES. Robson Rocha assumiu uma vaga de suplente.  

Conselho fiscal. O secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive, foi eleito por indicação da União Federal, maior detentora de ações preferenciais da companhia.

Como representante dos acionistas minoritários detentores de ações ordinárias foi eleito o advogado Raphael Manhães Martins.

Pela Valepar, controladora da Vale, foi aprovado o nome de Claudio José Zucco. Também permaneceram nos cargos Marcelo Amaral Moraes e Aníbal Moreira dos Santos, que fazem parte do órgão desde 2004 e 2006, respectivamente.

O atual secretário-executivo do Ministério do Planejamento e ex-secretário-executivo adjunto do ministério da Fazenda, Dyogo de Oliveira, deixou o conselho fiscal da Vale. 

Dividendos. O diretor-executivo de Finanças da Vale, Luciano Siani, sinalizou que a mineradora deve manter inalterada sua política de dividendos anunciada para 2015, apesar da acentuada queda do preço do minério de ferro no ano. A proposta da companhia é de remuneração mínima de US$ 2 bilhões aos acionistas.

"Há dez anos a Vale tem essa política de dividendos e o que ela anuncia ela cumpre", afirmou o executivo após a assembleia geral ordinária (AGO) da empresa nesta sexta-feira, 17, no Rio.

O cenário de derrocada da cotação do principal produto da companhia levantou dúvidas entre alguns analistas quanto à capacidade de pagamento de dividendos pela Vale. Nesta terça-feira a companhia anunciou a aprovação pelo conselho de administração do pagamento da primeira parcela dos dividendos, no valor de US$ 1 bilhão.

Siani também comentou a decisão da agência de classificação de risco Standard & Poor's de colocar a nota de crédito da Vale e de outras sete mineradoras em observação com viés negativo, descartando a perda do grau de investimento junto a Moody's, S&P e Fitch. "Continuamos confiantes na manutenção dos ratings atuais nas três agências principais", afirmou. 

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