Após quase dois anos, Aché terá presidente

Farmacêutica, que era dirigida por um colegiado, abandona formato de gestão compartilhada com a contratação de Paulo Nigro, ex-Tetra Pak

MÔNICA SCARAMUZZO, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2014 | 02h05

Depois de quase dois anos à procura de um presidente executivo, a farmacêutica nacional Aché, uma das maiores do País, anunciou ontem a contratação de Paulo Nigro, que estava à frente da empresa de embalagens Tetra Pak, para o cargo. O executivo assumirá a nova função a partir do dia 3 de novembro.

A companhia, que pertence às famílias Dellape Baptista, Siaulys e Depieri, estava sem presidente desde fevereiro de 2013. Desde então, a farmacêutica era administrada por um comitê de gestão de três executivos, apoiados pelo presidente do conselho de administração, Adalberto Dellape Baptista.

Esse comitê foi criado após a saída do executivo José Ricardo Mendes da Silva, considerado o homem de confiança dos Depieri. Silva está à frente da BR Pharma, que pertence ao BTG, desde o fim do ano passado.

Em comunicado, Nigro afirmou que "encara com entusiasmo o novo desafio no Aché, uma empresa inovadora, que vive um momento extremamente positivo".

O Aché é considerado um dos laboratórios farmacêuticos mais rentáveis do Brasil. Todo ano paga gordos dividendos aos seus controladores, segundo fontes de mercado.

No ano passado, a companhia encerrou com receita líquida de R$ 1,9 bilhão e lucro líquido de R$ 403,8 milhões. Há três anos, o Aché estava preparado para abrir capital na Bolsa, mas desistiu porque as condições de mercado não eram favoráveis.

Há dois anos, os controladores do Aché foram procurados por multinacionais para a vender o controle da empresa, mas, apesar de diversas ofertas de grupos importantes, o negócio não foi adiante. Ninguém se dispôs a pagar os altos preços cobrados pelos donos.

À época, fontes afirmaram que os controladores pediram cerca de R$ 15 bilhões pelo negócio, cerca de 25 vezes o Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia. Oficialmente, o Aché nunca confirmou que esteve à venda.

Outros negócios. Além da participação no laboratório Aché, os controladores mantêm importantes negócios independentes. A família Baptista, por exemplo, controla a Partage, de empreendimentos imobiliários. Os Siaulys possuem redes de hotéis de luxo, como o Unique. Os Depieri são investidores do mercado financeiro. As famílias também estão entre os acionistas da BR Pharma, braço de varejo farmacêutico do BTG.

A farmacêutica engrossou nos últimos anos o movimento de consolidação do setor. Em 2003, o laboratório incorporou a alemã Asta Médica do Brasil. Mas foi em 2005 que deu seu maior salto, com a compra da Biosintética Farmacêutica, que possibilitou à companhia entrar no segmento de genéricos - hoje os produtos são vendidos sob a marca Genéricos Biosintética.

Em 2010, a empresa adquiriu 50% da Melcon, de Anápolis (GO), marcando sua entrada em hormônios. O Aché também faz parte da Bionovis, superfarmacêutica criada com o apoio do governo federal para produzir medicamentos biossimilares, que tem entre seus sócios a EMS, Hypermarcas e União Química.

O Aché tem cerca 280 marcas de produtos em 690 apresentações de medicamentos sob prescrição, isentos de prescrição e genéricos. A empresa também atua em dermatologia e nutracêuticos, que oferecem margens mais altas.

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