Balanço da Petrobrás foi aprovado pelo conselho com falta de informações

Membros do conselho da estatal, Mauro Cunha e José Monforte não assinaram o balanço da petroleira e alegaram falta de tempo e de informações para avaliar resultados financeiros; Monforte renunciou dias após a divulgação do documento

Vinícius Neder, O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2015 | 16h13

RIO - Dois membros do conselho de administração da Petrobrás se negaram a aprovar o balanço da estatal por falta de informações. Representantes dos acionistas minoritários, Mauro Cunha e José Monforte afirmaram que, além de não receberem documentos solicitados antes da sessão para aprovar os números da empresa, também não tiveram tempo para analisar os resultados de 2014. Monforte renunciou dias depois da divulgação do balanço.

Mauro Cunha listou 12 documentos pedidos previamente por conselheiros que não foram enviados pela companhia. A solicitação foi feita tanto por Cunha quanto por Monforte entre 27 de fevereiro e 6 de abril. Segundo uma tabela colocada por Cunha em seu voto contrário, nenhum dos documentos pedidos foi enviado aos conselheiros.

Cunha criticou a decisão de fazer baixa contábil por corrupção e a política de hedge da estatal: "Até onde se sabe, a Petrobrás não corrompeu ninguém nem pagou propina. A Petrobrás foi vítima da corrupção feita por terceiros. Assim, não vejo sentido em lançarmos esses valores baseados nas delações premiadas de pessoas inidôneas", escreveu Cunha.

"Nem mesmo o parco prazo de duas horas concedido nas análises trimestrais recentes se verificou desta feita. Recebemos às 11h40 desta data cerca de 319 páginas de documentos, que foram aprovadas mediante apresentações de PowerPoint, sem ter sido possível a qualquer conselheiro a leitura das demonstrações", continuou o conselheiro, na manifestação em separado que consta em anexo da ata da reunião do colegiado do último dia 22 de abril.

Sobre a baixa por desvalorização de ativos, principal responsável por fazer a companhia registrar prejuízo de R$ 21,587 bilhões em 2014, Cunha disse reiterar críticas que vinha fazendo desde 2013. Assim como Monforte, ele considerou "inadequado" o montante de 3% do valor de contratos suspeitos, utilizados no cálculo dos resultados financeiros da Petrobrás com base nas delações premiadas feitas durante as investigações da operação Lava Jato.

"O que vemos neste momento é a apresentação de um lançamento de imparidade que na minha opinião não guarda relação com a dimensão de superavaliação de nossos ativos", diz o conselheiro, que cita especificamente as baixas relacionadas ao adiamento das obras da segunda unidade da Refinaria Abreu e Lima (Rnest, em Pernambuco) e do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj). "A perda se deu fundamentalmente por esta decisão pelo adiamento, e não (aparentemente) por conta da supervalorização generalizada dos ativos, que já existia desde 2013", completa.

Por considerar inadequado o método de adotar os 3% como parâmetro para a baixa por corrupção, Monforte diz esperar que esse não seja o valor de referência a ser usado pela companhia para buscar o ressarcimento das perdas.

"Apesar de testemunhar evolução no processo de ajustes e também a atitude de alguns executivos em disponibilizar tempo e informações, este esforço ainda foi aquém daquele que requer uma diligência completa", conclui.

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