Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Banco do Brics terá departamento exclusivo para cuidar da pauta ambiental e social em 2021

Segundo o presidente da instituição, o brasileiro Marcos Troyjo, o NBD já faz avaliação sobre os temas, mas, ao montar uma área específica, mostra a prioridade que dará a esses critérios a partir do ano que vem

Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2020 | 16h30

BRASÍLIA - Caçula entre as instituições financeiras multilaterais, o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), mais conhecido como banco do Brics - grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - , criará em 2021 um departamento específico para cuidar de questões de ESG, a sigla em inglês para governança ambiental, social e corporativa. O tema vem dominando as decisões sobre o rumo dos investimentos globais e, de acordo com grande parte de especialistas de todo o mundo, esse é um caminho sem volta, principalmente depois da pandemia de covid-19. Para o ano que vem, a instituição também pretende ampliar o foco no setor privado e deixar de ser um financiador mais concentrado nos governos.

No geral, a meta do NBD é ampliar o número de participantes de sua base de captação de recursos para investimento e alocação, mas o assunto ainda é tratado de forma velada enquanto se dão as negociações para a integração de novos membros. O avanço do banco do Brics no biênio 2019-2020 foi caracterizado por um rebalanceamento da carteira, com destaque para o Brasil, que era o lanterninha do grupo em relação ao volume de aprovações de projetos. Com um salto de 34% este ano, o País está agora emparelhado com a China, com uma fatia de 20% dos financiamentos concedidos.

A criação de um departamento de ESG foi autorizada esta semana pelo conselho de diretores da instituição e significa que profissionais da área serão recrutados dos países que compõem o NBD e se concentrarão especificamente nesse segmento, que ainda carece de padrões internacionais consolidados. Grandes fundos internacionais já avisaram que, a partir de agora, apenas alocarão seus recursos em projetos que tenham essas três letras como referência.

"A criação do departamento é fundamental porque vai em linha com a missão institucional do banco de investir em infraestrutura e desenvolvimento sustentável", disse ao Estadão/Broadcast, da China, o presidente do Banco do Brics, o brasileiro Marcos Troyjo. No cargo desde maio, ele lembrou que o NBD já faz avaliação de ESG nos projetos em que os temas são pertinentes, mas que, ao montar uma área específica para o assunto, o Banco mostra internamente, para seus membros e clientes, a prioridade que dará a esses critérios.

Outro parâmetro de desenvolvimento ao longo do ano que vem e que foi apresentado pelo presidente anterior da instituição, o indiano Kundapur Kamath, é a ampliação da atuação para o setor privado, já que o banco tinha inicialmente papel mais forte na área pública. A previsão é que também seja criado um departamento exclusivo para o setor, com a avaliação de que, conforme a instituição vá criando musculatura e se tornando mais complexa, também haja uma tendência de mudar o tipo de modalidade financeira em que deve atuar.

O cardápio a ser desenvolvido nos próximos meses é mais diversificado, com projetos de Parceria Público-Privado (PPP), equities, finanças verdes, operações sindicalizadas e project finance, para viabilizar projetos de grandes portes, entre outros. O intuito é ampliar também o papel do banco em cofinanciamento com outras instituições. "O banco está se modernizando estruturalmente para poder responder melhor às oportunidades com o setor privado e os critérios cada vez mais importantes do ESG", apontou Troyjo. 

Também está no radar a possibilidade de oferecer crédito em moeda local dos países demandantes que querem evitar o risco de variação cambial.

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