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BlackRock endossa carta de entidades brasileiras que pede diversidade em conselhos de administração

Documento foi divulgado pelo Programa Diversidade em Conselho, que oferece mentoria para mulheres que querem entrar em colegiados

Heloísa Scognamiglio, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2021 | 16h37

A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, endossou a "Carta ao Mercado: Diversidade na renovação dos conselhos", documento divulgado no último dia 15 pelo Programa Diversidade em Conselho (PDeC). A carta é um convite para que as empresas aproveitem o período de renovação dos membros dos conselhos de administração, que geralmente ocorre entre março e abril, para promover a inclusão e a diversidade nos colegiados.

O PDeC é uma iniciativa da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), do Instituto de Governança Corporativa (IBGC), do International Finance Corporation (IFC), da SpencerStuart e da WomenCorporateDirectors Foundation (WCD). O programa foi criado em 2014 e oferece mentoria a mulheres com experiência na carreira executiva que desejam entrar em conselhos de administração, através da troca de experiências e de um trabalho de networking. O programa está em sua quinta edição e, incluindo a turma atual, já teve participação de 140 mulheres.

"Como atores importantes nesse cenário e engajados com a causa, neste período em que os profissionais começam a ser selecionados para conselhos, pedimos que considerem promover mais diversidade (de gênero, cor, etnia, orientação sexual, formação, idade, região, etc.) para os boards em que atuam, assim como gostaríamos que provocassem essa reflexão nos ambientes de governança pelos quais circulam", diz a carta, que traz as assinaturas de Gilson Finkelsztain, CEO da B3; Pedro Melo, diretor-geral do IBGC; Carlos Leiria Pinto, country manager da IFC; Fernando Carneiro, sócio da SpencerStuart; e Marienne Coutinho, co-chair da WCD no Brasil e sócia da KPMG.

O documento destaca o impacto positivo que conselhos mais inclusivos têm no desempenho das empresas e na capacidade de inovação nos negócios. Também critica como os colegiados ainda são pouco plurais, citando como exemplo o estudo Board Index 2020, realizado pela SpencerStuart, que mostra que apenas 11,5% das posições em conselhos das empresas abertas brasileiras são ocupadas por mulheres.

Carlos Takahashi, CEO da BlackRock no Brasil, ressalta a importância da carta diante da ausência de diversidade nos conselhos de administração no País. “As pessoas tiveram uma carreira, tiveram uma série de experiências e aprendizados e desenvolveram várias capacidades, mas essas capacidades muitas vezes se perdem exatamente por não se dar a visibilidade necessária a esses profissionais, que procuram espaço nos conselhos e com certeza podem trazer inúmeras contribuições às organizações”, afirma.

Segundo o executivo, a BlackRock apoia o documento porque acredita que a diversidade é o caminho para que os conselhos consigam lidar com vários temas com visões diversificadas. “Essa diversidade de visões vai ter como resultado melhores decisões, inegavelmente. Qualquer análise que fazemos comprova o quanto a diversidade traz mais qualidade nas decisões”, declara, destacando que a diversidade também agrega valor às empresas.

“Entendemos que a falta de diversidade não é saudável para as companhias. E também demonstra, de certa forma, que elas não estão conseguindo olhar de uma modo amplo as capacidades que podem ser trazidas para dentro”, acrescenta. O CEO da BlackRock diz que qualquer transição é complexa e envolve desafios, mas a transição para conselhos de administração mais inclusivos precisa acontecer. 

O executivo aponta que a diversidade faz parte da pauta ESG (sigla em inglês que se refere a aspectos ambientais, sociais e de governança), muito discutida ultimamente e que, em sua opinião, oferece critérios que possibilitam o avanço em direção a um desenvolvimento mais sustentável.

“Quando falamos de diversidade, falamos também de boas práticas de governança. Há uma intersecção muito forte com a governança e também com as questões ambientais. O ESG dá essa transversalidade que permite que a gente olhe de uma forma prática para aquilo que nós temos que efetivamente fazer para construir uma economia sustentável, um mundo que pense no longo prazo, que pense no amanhã, que pense em causa e consequência”, explica Takahashi.

A carta pela diversidade

A carta pedindo por mais diversidade na renovação dos conselhos foi divulgada neste mês e, segundo os signatários, vem em um momento propício para incentivar uma transição para conselhos mais inclusivos, já que a discussão acerca da diversidade está em alta.

“A intenção do lançamento da carta foi de atingir o maior número possível de tomadores de decisão e influenciadores sobre o tema e também colocar as entidades organizadoras do programa à disposição”, diz Fernando Carneiro, sócio da SpencerStuart. “O progresso rumo a conselhos mais diversos ainda é muito lento e é preciso aumentar a pressão por mudanças mais rápidas e substantivas”, defende.

“Estamos confiantes que a carta trará um resultado concreto para a sociedade”, declara Carlos Leiria Pinto, gerente-geral da IFC no Brasil. “O impulso para uma maior diversidade nas empresas já está acontecendo. Ele é estimulado, por exemplo, por um número crescente de investidores e acionistas, legislação e códigos de governança e, também, por uma consciência geral de que as empresas e seu corpo diretivo devem refletir melhor a pluralidade dos mercados que atendem”, acrescenta.

Marienne Coutinho, co-chair da WCD no Brasil e sócia da KPMG, destaca a importância da diversidade no alto escalão. "As decisões mais relevantes, assim como a formação de políticas importantes e direcionamento de cultura corporativa, ocorrem no nível da liderança. Uma empresa só é verdadeiramente diversa quando possui diversidade nas posições mais importantes, incluindo seu conselho", diz.

Pedro Melo, diretor-geral do IBGC, destaca a relevância da articulação de um movimento próprio do mercado pela diversidade. “Está ficando para trás a ideia de que a função da empresa se restringe à geração de riqueza para os sócios. Isso nos fez deixar em segundo plano o bem-estar das pessoas e menosprezar a utilização de recursos naturais. Estamos cada vez mais conscientes de que as organizações devem ser utilizadas para promover o bem-estar da sociedade - que está mais atenta, exigente e vocal”, declara.

“A B3, como infraestrutura de mercado, tem a responsabilidade, em conjunto com os diferentes órgãos reguladores, autorreguladores e instituições, de induzir boas práticas de gestão ambiental, social e de governança corporativa no mercado brasileiro”, diz Ana Buchaim, diretora de Pessoas, Comunicação, Marketing e Sustentabilidade da B3. “A visão que temos é que diversidade é um tema da pauta de negócios das empresas. Já deixou de ser uma discussão opcional e é realmente necessária para muito além da demonstração de boas práticas.”

Já declararam apoio à carta: Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP), Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), Associação de Investidores no Mercado de Capitais (AMEC), Morgan Stanley, Bradesco, BTG Pactual, Itaú BBA, KPMG, JP Morgan, Instituto Mulheres do Varejo e, agora, BlackRock.

Leia aqui a carta completa. 

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