Bovespa quer romper imagem de que mercado é acessível apenas para grandes empresas

Abertura de capital pode promover liquidez do patrimônio da empresa, ampliar visibilidade e melhorar relacionamento bancário, de acordo com diretora da bolsa, Cristiana Pereira

Fernanda Guimarães, Agência Estado

03 Dezembro 2014 | 15h28

A Bolsa brasileira trabalha para romper a imagem de que as empresas só devem acessar o mercado de capitais após alcançarem um determinado porte, disse a diretora de Desenvolvimento das Empresas da BM&FBovespa, Cristiana Pereira, em apresentação a empreendedores na sede da Fiesp. "A lógica é que o mercado de capitais é uma alavanca de crescimento. As empresas devem acessar o mercado para crescer mais", destacou.

Essa é a ideia para atrair as companhias de menor porte ao mercado, na esteira dos esforços da bolsa nos últimos três anos de criar um ambiente mais favorável para as ofertas menores. A diretora da bolsa disse que ao longo de 2014, a despeito do enfraquecimento das ofertas de ações no período, a companhia aproveitou para "fazer a lição de casa".

Como forma de impulsionar esse segmento, Cristiana lembrou a MP 651 lançada pelo governo, que, entre outras medidas, garantiu a isenção de Imposto de Renda no ganho de capital para a pessoa física, caso a empresa se enquadre às regras, como ter um faturamento anual inferior a R$ 500 milhões e valor de mercado menor que R$ 700 milhões. Cristiana destacou que, ao contrário das operações das grandes empresas, no qual os estrangeiros ficam, em média, com 70% das ações fruto do IPO, as ofertas inicias das companhias de menor porte deverão ficar com os investidores locais.

A demanda por essas ações, citou, também será criada com a ajuda do BNDESPar, que é o braço de participações do banco de fomento. Entre as iniciativas está o programa do BNDESPar de destinar R$ 1 bilhão para ingressar nos IPOs dessas companhias no Bovespa Mais, podendo ficar com até 20% da oferta, funcionando, assim, como um investidor âncora.

Cristiana disse ainda que, entre os benefícios para a abertura de capital, está a alternativa de saída de investidor financeiro, promover a liquidez do patrimônio, permitir a perpetuidade da companhia, dar visibilidade e, até mesmo, melhorar o relacionamento bancário. "Já observamos que a redução do custo de capital é relevante", disse.

A diretora da BM&FBovespa comentou que o Bovespa Mais, segmento de acesso da Bolsa, está mais preparado para receber as empresas e lembrou que o processo pode ser realizado em duas etapas: primeiro com a listagem da empresa nesse segmento e depois com a oferta de ações para captação de recursos. O Novo Mercado, que é o segmento de maior governança, acabou sendo destinado para as grandes companhias. "Acabou oficializando a sua vocação para as empresas grandes", disse.

Exterior. A diretora da Bolsa frisou a busca nos últimos anos pela aprendizagem com a experiência internacional, ao notar que em países mais desenvolvidos o acesso das empresas de menor porte ao mercado de capitais é muito ativo.

Do lado da Bolsa, Cristiana diz que a companhia reduziu seus custos para o acesso dessas empresas, por exemplo. Outra boa notícia, comentou, é a possibilidade da realização de ofertas de ações com esforços restritos, o que pode facilitar a chegada das empresas com esse perfil ao mercado. "No exterior notamos que havia um processo mais simples para as ofertas menores", disse.

Na oferta com esforços restritos, recém regulamentada pela CVM, a oferta pode ser oferecida a 75 investidores qualificados, com apenas 50 podendo, ao final, adquirir as ações, característica que torna o processo mais célere e menos custoso. "Dependendo, de 10 a 12 investidores podem ser suficientes para comprarem as ações das ofertas das empresas de médio porte", destacou. Em IPO realizados por meio dessa instrução, a listagem precisa ocorrer, necessariamente, no Bovespa Mais. 

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