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Brasil passa por momento crítico para a governança, diz IBGC

Presidente do conselho da entidade, Sandra Guerra alerta quanto aos riscos de práticas ruins de gestão 

Fernanda Guimarães, O Estado de S. Paulo

05 Fevereiro 2015 | 09h56

SÃO PAULO - O "tsunami" vivido hoje no Brasil poderá desencadear um movimento de melhorias nos conselhos de administração das companhias brasileiras. Segundo a presidente do conselho do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Sandra Guerra, o cenário pode servir para "tirar o sono" dos conselheiros, já que ficou claro quais são os riscos e consequências da má governança corporativa e a responsabilidade do conselho nesse sentido. "A história internacional mostra que momentos de crise financeira, dos escândalos corporativos, aprofundaram a consciência de quais são as consequências de não se ter uma boa governança", destacou Sandra ao Broadcast, da Agência Estado.

Segundo ela, o Brasil passa por um momento crítico institucional, com descrença na governança de companhias, e que isso pode servir para "elevar a régua de todos os agentes". "Uma série de empresas está vivendo uma destruição de valor enorme e as empresas que observam isso vão claramente ser direcionadas a se preocuparem mais com o modelo de governança. O que é muito interessante nessa situação em que estamos vivendo é que é governança para valer e não governança no papel", disse.

A especialista exemplificou e afirmou que "muitas empresas envolvidas nessa situação" possuem códigos de ética exemplares. "E isso leva a sociedade a olhar de fato para qual é a governança que existe de fato, não basta ter governança no papel."


Sem poder comentar casos específicos, como o da Petrobrás, Sandra disse que no momento os holofotes estão voltados para a composição dos conselhos de administração das companhias. Segundo ela, o nível de independência dos conselheiros, a vinculação com partes relacionadas, assim como o tempo disponível para exercer o cargo, são destaques nessa discussão.

Em evento na manhã de hoje em que se comemorou os 20 anos do IBGC, a presidente do conselho da entidade disse ainda que "não é mais possível imaginar que qualquer solução vai dar conta desse quadro". "Uma crise institucional desse nível precisa de respostas com a mesma profundidade da a crise que esteja se apresentando". "Esse período poderá ser dividido entre o antes e o depois. Poderemos ter um novo modelo de governança de fato e não de direito", disse.

Perda para todos. Na opinião do ex-presidente do conselho do IBGC e ex-diretor geral da Bovespa, Gilberto Mifano, "desvios de conduta e de postura em uma empresa pública criam um prejuízo muito grande para todas as empresas". "Nesta conta nós todos estamos e vamos pagar", afirmou no evento da entidade.

Sandra Guerra disse que esse movimento da entidade em relação à governança de empresas públicas já começou e que a associação até mesmo adiantou seu planejamento em relação a esse tema. 

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