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Braskem foi pega de surpresa com envolvimento na Lava Jato, diz fonte

Ações da empresa caíram quase 20% após depoimento do doleiro Alberto Youssef, que afirmou que a empresa foi beneficiada pelo esquema de corrupção na Petrobrás; petroquímica não sabe quais medidas tomar

André Magnabosco, O Estado de S. Paulo

12 de março de 2015 | 14h46

SÃO PAULO - A citação da Braskem no depoimento do doleiro Alberto Youssef, no âmbito das investigações da Operação Lava Jato, caiu como uma bomba na sede da petroquímica, em São Paulo. A reportagem do Broadcast, serviço da Agência Estado, apurou junto a uma fonte de dentro da companhia que o dia foi marcado por reuniões, elaborações de comunicados e análises de quais medidas devem ser tomadas após a divulgação de novos detalhes da delação premiada de Youssef. Apesar da citação em depoimento, a Braskem não havia sido contatada pela Polícia Federal ou pelo Ministério Público.

"Ainda está sendo montado um plano de trabalho para a definição de quais ações devem ser adotadas a essa altura. Os advogados ainda estão analisando se podem pedir informações complementares ao Ministério Público ou se será necessária, por exemplo, a contratação de um escritório de advocacia para tratar o assunto", revelou a fonte, que pediu para não ser identificada.

A diretoria da Braskem se reuniu para definir algumas prioridades. Entre elas, a divulgação de um fato relevante, de uma nota à imprensa e de um comunicado interno. No comunicado publicado na Comissão de Valores Imobiliários (CVM), a companhia destacou que "tomará as medidas necessárias para a elucidação do assunto". À imprensa, ressaltou que os contratos entre Petrobrás e Braskem, citados na delação de Youssef e origem de um suposto caso de pagamento de propina, sempre estiveram atrelados às referências internacionais. Internamente, o foco foi destacar o compromisso com a ética. Nos três comunicados, a Braskem negou qualquer participação em um caso de pagamento de propina.

Youssef acusou a petroquímica de fazer pagamentos anuais de, em média, US$ 5 milhões, em troca da assinatura de contratos de fornecimento de matéria-prima em condições mais favoráveis. No depoimento, Youssef cita nominalmente o ex-presidente da Braskem José Carlos Grubisich e o ex-vice-presidente de Relações Institucionais da petroquímica, Alexandrino Alencar. Ambos negaram as acusações.

A companhia possui uma série de controles internos que mitigariam a possibilidade de envolvimento em um caso de pagamento de propina. Por outro lado, o tamanho da companhia, uma das maiores do País com faturamento de mais de R$ 50 bilhões por ano, inviabiliza que todos os beneficiários de pagamento sejam rastreados de forma pontual.

A denúncia de um caso de pagamento de propina associado às negociações entre Braskem e Petrobrás pode tornar mais difícil a formalização de um novo contrato de fornecimento de nafta de longo prazo. O último, válido entre 2009 e 2014, postergado a partir da assinatura de três aditivos com validade semestral.

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