Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Caiu pela metade número de executivos que recebem auxílio-moradia, diz pesquisa

No setor privado, apenas 6% dos executivos receberam benefício em 2017, praticamente metade dos 11,5% que recebiam em 2012

O Estado de S.Paulo

01 Março 2018 | 21h56

Enquanto 70% dos juízes brasileiros receberam auxílio moradia em 2017, apenas 6% dos altos executivos no setor privado receberam o benefício. De acordo com uma pesquisa realizada pela Page Executive, a porcentagem de funcionários do alto escalão de companhias que recebem custeio para moradia vem caindo nos últimos anos. Em 2012, 11,5% dos funcionários recebiam a gratificação, número que foi reduzido praticamente pela metade, cinco anos depois.

A pesquisa mostrou ainda que o valor do auxílio-moradia pode variar de 10% a 20% da remuneração total do profissional do setor privado, dependendo do cargo que ocupa na empresa e o porte da companhia onde ele atua. Em valores absolutos, essa gratificação pode variar de R$ 3 mil a R$ 20 mil. O auxílio concedido a juízes é de R$4.377, independente de qual tribunal ou cidade desempenha suas funções.

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De acordo com Leandro Muniz, diretor da Page Executive, atualmente as empresas buscam remunerar os executivos de acordo com resultados que eles apresentam, por isso, o benefício acaba sendo incorporado ao salário. “O valor acaba sendo incorporado à remuneração de longo prazo e sendo mais justo pelo que esse profissional entrega de resultado à empresa. Esta tem sido a política adotada por boa parte das corporações, norteada pela meritocracia”, afirma.

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Entretanto, de acordo com Muniz, é comum que as companhias adotem essa gratificação em casos de executivos que estão vivendo fora de seu país de origem, de mudança de cidade ou para atrair profissionais que já possuíam o benefício na empresa anterior. No caso dos magistrados, não há critério para o recebimento da ajuda de custo. Para recebe-la, não é necessária a comprovação de nenhum pagamento de aluguel. Ela cai direto no contracheque, expandindo o rendimento, e eles podem usá-la como quiserem. 

Em março, o Supremo Tribunal Federal deve decidir se os magistrados de todo o país têm direito ao benefício e quais serão os critérios para o pagamento. Desde 2014, em ação julgada liminarmente pelo ministro Luiz Fux, o auxílio-moradia foi estendido a todos os magistrados do Brasil.

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