Edu Andrade/ ME - 25/4/2022
Daniella Marques, presidente da Caixa Econômica Federal; ela promete rigor na apuração de denúncias de assédio sexual dentro do banco Edu Andrade/ ME - 25/4/2022

Daniella Marques diz que já afastou cinco consultores da Caixa e deve afastar todos os 20

Presidente da Caixa também prometeu que metade das vice-presidências do banco será ocupada por mulheres

Matheus Piovesana, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2022 | 16h12
Atualizado 05 de julho de 2022 | 12h32

Em suas primeiras entrevistas após ser indicada para presidir a Caixa Econômica Federal (CEF), Daniella Marques deu indicativos de que a cúpula do banco vai mudar e anunciou três nomes que já atuam em outras esferas do Executivo e que a acompanharão rumo à CEF. Além disso, ela afirmou que cinco consultores da presidência do banco já foram afastados e que ainda deve afastar todos os 20 consultores.  A presidente também assegurou que as investigações sobre as denúncias de assédio sexual que levaram à queda do ex-presidente do banco Pedro Guimarães serão rigorosas e que vai punir quem tiver de ser punido.

 Até agora, ela anunciou três nomes. Seu braço direito será Danielle Calazans, atual secretária de gestão corporativa do Ministério da Economia, e que na instituição, será responsável por pessoas. Também chegam Caroline Busatto (subsecretária de micro e pequenas empresas, empreendedorismo e artesanato no Ministério) e Alexandre Mota, atual diretor da Empresa Gestora de Ativos (Emgea), que ficará com atacado e crédito.

 "Estou trazendo três profissionais da minha confiança", disse Daniella à GloboNews na tarde desta segunda-feira, 4. Ela evitou dizer se os três ocuparão vice-presidências, mas deixou claro que ao menos duas estão vagas: a de atacado e a de logística e operações.

A primeira está em aberto desde sexta-feira, quando o então ocupante, Celso Barbosa, renunciou ao posto. Ele é considerado o “número dois” na gestão de Guimarães e também citado em uma das denúncias de assédio sexual. A segunda vaga é de Antonio Carlos Ferreira, que será afastado e realocado para outro posto, mas Daniella não esclareceu se será no banco ou fora dele. Daniella disse que o executivo não tem relação com o episódio, e que conversou com ele na manhã desta segunda-feira.

A Caixa tem hoje 12 vice-presidências. Daniella não deixou claro se este número será mantido, mas disse que metade dos postos será ocupada por mulheres. Hoje, cinco das 12 cadeiras da cúpula do banco têm mulheres à frente, todas funcionárias de carreira da instituição, e empossadas durante a gestão de Guimarães.

Antes de mudar os vice-presidentes, a executiva já está alterando a assessoria da presidência. A chefe de gabinete da gestão Guimarães deixou o cargo, e ao menos cinco consultores também foram afastados. "Afastamos cinco consultores, são 20. Possivelmente eu vou afastar os 20", disse a presidente da Caixa, que toma posse nesta terça-feira, 5.

Daniella, porém, ainda não disse claramentese o rumo do negócio será alterado. Ela sinalizou apenas que a estratégia para o microcrédito continuará sob foco. Como mostrou o Estadão/Broadcast, Guimarães, aliado próximo ao presidente Jair Bolsonaro, vinha acelerando as concessões de crédito em ramos como o imobiliário e o agrícola, enquanto as instituições privadas começaram a fechar a torneira diante da alta da Selic e da piora da inflação e da inadimplência.

Investigações

Única mulher a comandar um dos cinco maiores bancos do País neste momento, Daniella deixou claro que tem dois objetivos: preservar a imagem da Caixa e evitar que as investigações paralisem a instituição. "O nosso foco é isolar o episódio do dia a dia do banco. Isolar não significa que a apuração não terá seriedade", afirmou.

Na semana passada, o conselho de administração da Caixa aprovou a contratação de uma empresa independente para fazer investigações adicionais sobre as denúncias de assédio. Segundo a nova presidente do banco, a empresa que tocará a investigação será conhecida na próxima semana. "Existem fatos graves sendo expostos, e isso precisa ser apurado. Vai ser apurado com rigorosidade, independência, responsabilidade", comentou.

Para a executiva, braço direito do ministro Paulo Guedes na pasta da Economia, a crise será uma oportunidade para fortalecer a pauta anti-assédio não só na Caixa, mas em todo o País. Ela prometeu, inclusive, levar o assunto à Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em que a CEF tem assento em conselhos e na diretoria.

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Denúncias de assédio sexual 'serão apuradas com rigor', diz nova presidente da Caixa

Daniella Marques afirmou ainda que já se reuniu com o alto comando da instituição e que a primeira decisão foi afastar pessoas envolvidas nas investigações

Matheus Piovesana, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2022 | 11h42

A nova presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Daniella Marques, disse que o banco vai apurar com rigor as denúncias de assédio sexual feitas contra antigos dirigentes. Segundo ela, as punições necessárias serão levadas a cabo. A executiva afirmou ainda que já se reuniu com o alto comando da instituição e que a primeira decisão foi afastar pessoas envolvidas nas investigações, para proteger a imagem da Caixa.

"Asseguro: será tudo feito com independência, com rigor, com seriedade, e se realmente for comprovado, todas as punições que são cabíveis serão feitas", disse, durante entrevista transmitida no domingo pela TV Record.

Daniella, assessora de confiança do ministro da Economia, Paulo Guedes, toma posse na terça-feira, 5. Ela chegou à presidência do banco público após a queda de Pedro Guimarães, acusado de assédio sexual por funcionárias da Caixa. Guimarães, que deixou o cargo na última quarta, nega as acusações.

A nova presidente assinou na sexta um termo de posse, e fez uma primeira reunião. "Definimos um plano de ação, tomamos uma série de decisões. O primeiro passo foi o afastamento de outras pessoas que possam estar, que estão envolvidas nas apurações, porque a gente precisa proteger agora a imagem da instituição." Ela não citou nomes.

Além de Guimarães, o vice-presidente de atacado, Celso Barbosa, deixou a Caixa na sexta. Ele era o "número dois" do banco durante a gestão do ex-presidente.

Daniella disse que o assunto é "para já". "Metade das mulheres do Brasil são vítimas de assédio no trabalho, então a Caixa, que sempre foi o banco de todos os brasileiros, daqui para frente, e eu tenho aprovação de todos os órgãos internos, vai ser a mãe da causa das mulheres", pontuou.

Ao assumir a Caixa, Daniella será a única mulher a presidir, na atualidade, um dos cinco maiores bancos brasileiros.

Microcrédito

A nova presidente da CEF sinalizou ainda que o banco prosseguirá com a estratégia de microcrédito iniciada na gestão anterior. "A gente tem que apoiar na capacitação e no crédito, já vinham rodando iniciativas de microcrédito. Existe agora a renovação do fundo garantidor da União para alavancar R$ 90 bilhões em crédito para micro e pequenas empresas e pela primeira vez, para micro e pequenos empreendedores individuais", disse.

Como mostrou o Estadão/Broadcast na quarta, Daniella chega ao quarto maior banco brasileiro em ativos com a missão de definir os rumos de uma série de iniciativas deixadas em andamento por Guimarães. A aceleração do microcrédito é uma delas, bem como o avanço da Caixa no segmento agrícola, um projeto do ex-presidente, e decisões sobre vendas de ativos.

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