MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO
MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO

Caso Samarco pode tirar Vale de índice de sustentabilidade

Ações da mineradora têm o maior peso na composição do índice da Bolsa, mas tragédia ambiental pode levar à sua exclusão

Malena Oliveira, O Estado de S. Paulo

17 de novembro de 2015 | 06h26

A permanência das ações da Vale no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da BM&FBovespa pode estar ameaçada pelo rompimento das barragens de rejeitos da mineradora Samarco em Bento Rodrigues (MG). Hoje, os papéis da empresa têm o maior peso no índice e respondem por 13,3% de sua composição. Outras companhias com participação relevante são BRF (cujas ações têm peso de 12%), Cielo (8%) e Itaú (6,8%).

A BM&FBovespa não comenta o caso, mas informa, por meio de nota, que a exclusão de uma empresa está prevista no regulamento do índice "em casos de fatos gravíssimos e comprovados por todos os mecanismos, inclusive legais, e que ferem de forma definitiva as premissas do índice".

O ISE reúne ações de empresas com iniciativas voltadas não somente para a preservação ambiental, mas também para a eficiência econômica e a responsabilidade social. Sua composição passa por uma avaliação periódica da Bolsa e a carteira revisada será divulgada no próximo dia 26. 

Outras companhias que já foram excluídas da composição do ISE foram Usiminas e Dasa, em 2011, e a Petrobrás, em 2009.

O professor e pesquisador da Fundação Dom Cabral, José Paschoal Rossetti, afirma que o caso Samarco pode contribuir para a exclusão da Vale do índice. Ele, contudo, ressalta que "outros aspectos precisam ser avaliados, como as ações de peso que ela realiza em sustentabilidade." 

Os estragos causados pelo acidente atingem também a percepção do mercado financeiro sobre a Vale que, assim como a anglo-australiana BHP Billiton, detém 50% de participação na Samarco. "Os papéis da mineradora têm dois problemas hoje: um é a queda do preço do minério de ferro, causada pela desaceleração da economia chinesa, e outro é o fato de a companhia estar envolvida em um dos maiores acidentes ambientais da história", diz o economista-chefe da TOV Corretora, Pedro Paulo Silveira. Para ele, um agravante é o fato de não se saber ao certo o tamanho do prejuízo com o qual as donas da Samarco terão de arcar. 

Nesta segunda-feira, 16, as ações com direito a voto da Vale (ON) fecharam em queda de 2,15%, negociadas a R$ 15,04; já as com preferência no recebimento de dividendos (PN) caíram 1,88%, cotadas a R$ 12,88. Desde as primeiras notícias sobre o acidente, os papéis acumulam queda de 13,56% (ON) e de 11,08% (PN).

Responsabilidade. Companhias devem assumir os riscos e as consequências por situações adversas, mesmo que elas não ocorram dentro de casa. É o que defende a vice-presidente do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Eliane Lustosa.

O instituto não comenta casos específicos, mas defende que a alta cúpula das companhias deve buscar informações para prevenir essas situações: "Se existem riscos, os conselheiros têm de saber o que é feito para evitá-los", diz Eliane. "O administrador deve assumir o bônus e o ônus de suas decisões", completa.

Hoje presidente do conselho de administração da Fibria Celulose, José Luciano Penido esteve à frente da Samarco por 12 anos: "É muito triste ver que uma empresa que se estabeleceu como referência no Brasil, de uma hora para a outra, demonstrou não estar preparada para reagir à altura e perdeu uma reputação de 40 anos", diz. "Mesmo com o esclarecimento das razões, acho muito difícil ter a licença social para voltar a operar."

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