Com crise, empresas deixam de priorizar educação corporativa

Com crise, empresas deixam de priorizar educação corporativa

Alta administração está mais focada em resultados imediatos; por outro lado, número de empresas com equipes dedicadas à educação corporativa aumentou 42%, segundo estudo da Deloitte

O Estado de S.Paulo

04 Novembro 2016 | 13h57

SÃO PAULO - Pesquisa realizada pela Deloitte mostra que os níveis de apoio e envolvimento da alta administração das companhias com educação corporativa caíram. A percepção de envolvimento no tema avaliada por 178 profissionais dos setores de tecnologia da informação, atividades financeiras e prestação de serviços caiu de 62% em 2014 para 47% em 2016. 

Marcos Braga, diretor da Deloitte Educação Empresarial, explica que esse número reflete o momento de crise na economia, onde a alta administração está mais focadas no resultado imediato. Ele alerta, porém, que "as empresas não podem se acomodar". Por outro lado, o número de empresas com equipes dedicadas à educação corporativa aumentou 42% em 2016 em relação à pesquisa realizada em 2014. A quantidade de organizações com universidades corporativas também registrou um crescimento de 14%. 

A pesquisa também mostra que a participação dos treinamentos presenciais em relação ao total registrou um crescimento de 67% para 74% entre 2014 e 2016, enquanto o ensino a distância caiu de 33% para 26% no período.

"O resultado sugere que as empresas pretendem aguardar um momento mais favorável para fazer investimentos em plataformas de educação a distância de forma robusta, mesmo que isso signifique adiá-los por um período", avalia Braga.

A retomada do modelo presencial sugere que as organizações estão mantendo o foco em práticas tradicionais e deixando a educação a distância para um próximo momento. Danilca Galdini, diretora da DMRH, empresa de pesquisa em gestão e desenvolvimento de pessoas, conta que as empresas passaram a entender a complexidade de preparar módulos a distância e perceber que exige investimento tanto quanto o presencial. "Antes as empresas apenas replicavam o mesmo conteúdo presencial, mas o formato exige bastante adaptação para prender o aluno e fazê-lo entender".

O levantamento também indica que os treinamentos ficaram mais curtos: a média geral de horas de treinamento por profissional caiu de 30 em 2014 para 26 em 2016. 

Braga, da Deloitte, também ressalta que as empresas não podem esquecer de pensar na educação como investimento de longo prazo e que é um fator de retenção de funcionários. "Muitos profissionais procuram trabalhar em empresas que investem no desenvolvimento do funcionário". 

As competências consideradas técnicas e específicas para o desenvolvimento de determinadas funções (conhecidas como hard skills) ganharam relevância frente às habilidades relacionadas a aspectos da personalidade do profissional (as chamadas soft skills).  Esse movimento sugere um pragmatismo das organizações em relação às formações necessárias para o aumento da produtividade e da eficiência.

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