Com gestão a distância, incipiente no País, empresas ganham mais independência

Com gestão a distância, incipiente no País, empresas ganham mais independência

Segundo especialistas, tendência deverá ganhar mais força no Brasil nos próximos anos, mas requer elevado nível de governança

Ana Carolina Neira, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2017 | 05h00

A rotina dos executivos brasileiros dá seus primeiros passos em um modelo autônomo, com o gerenciamento de equipes feito de maneira mais independente e em qualquer lugar do mundo – prática atualmente aplicada sobretudo em multinacionais sediadas no exterior. No entanto, mesmo com a tecnologia como aliada, a descentralização de tarefas requer estruturação.

Segundo um estudo realizado pela Deloitte em 2016 com 245 altos executivos do mundo todo, 72% deles acreditam que, nos próximos cinco anos, a gerência de equipes espalhadas em diversas cidades seria uma realidade.

O modelo consiste em comandar equipes localizadas em qualquer lugar do mundo, realizando reuniões e resolvendo pendências da mesma maneira que a rotina de um escritório exige. A diferença é que tudo é feito online, com ligações e trocas constantes de mensagens.

Entre os benefícios, apontam especialistas, estão maior produtividade e eficiência de gestão, redução de despesas com espaços físicos – já que as equipes tendem a ficar menores – e um sentimento de valorização por parte da equipe.

Na avaliação do diretor da consultoria de recrutamento Talenses, João Márcio Souza, o primeiro passo para empresas que desejam apostar na gestão remota é entender se o negócio está suficientemente desenvolvido para tanto.

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“A ideia do executivo autônomo não é apenas uma tendência, mas uma realidade. Porém, para colocá-la em prática da melhor maneira não basta ter vontade – é preciso atingir um alto nível de governança e profissionalização para que o modelo seja proposto, implementado e funcione”, analisa.

O essencial, destaca, é a noção de que o antigo modelo de trabalho deverá ser desconstruído e substituído por um novo, mais eficiente. “É a busca por um novo tipo de mentalidade, não apenas por parte da pessoa que está no cargo de gestão mas também daqueles que estão abaixo dele. Passada a adaptação, tende a render bons resultados”, diz.

Nova rotina. O gerente sênior da empresa de recrutamento Robert Half, Fábio Saad, concorda. Segundo ele, a ausência de contato presencial e de uma rotina em grupo não podem atrapalhar o processo do gerenciamento a distância. “Ao perder a pressão humana envolvida nas rotinas tradicionais das empresas, é possível que tanto o gestor quando seus colaboradores acabem não sabendo lidar com essa falta de supervisão”. Por isso, o especialista indica uma transição planejada aos que desejam seguir a tendência do gerenciamento à distância.

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“Atualmente, muitos executivos buscam uma atuação semelhante pela possibilidade de viver longe das grandes cidades, com mais segurança e aproveitamento do tempo livre. Desde que os resultados desejados estejam muito bem alinhados entre os integrantes da equipe, internamente também haverá um sentimento positivo de confiança e autonomia”, explica o coordenador do Programa de Estudos em Gestão de Pessoas (Progep) da Fundação Instituto de Administração (FIA), Joel Dutra.

Foi o que aconteceu com a diretora de marketing da Eliane Iwasaki. Apesar de continuar vivendo em São Paulo, a executiva encontrou mais flexibilidade e menos estresse ao adotar a rotina de executiva autônoma.

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“Sem a necessidade de estar no escritório consigo ajustar melhor meus horários e evitar o trânsito da cidade, refletindo na qualidade de vida”, afirma a executiva, que há um ano e meio gerencia equipes na América Latina, Ásia, Europa, África e Oriente Médio.

“O principal desafio, no início, foi lidar com fusos tão diferentes. Mas hoje vejo como é importante contar com uma equipe com profissionais autônomos, que não demandem microgerenciamento”, comenta.

Para Joel Dutra, o Brasil ainda deve demorar um pouco mais para adaptar-se totalmente ao novo modelo. “Infelizmente, cinco anos é pouco tempo para mudar uma cultura tão forte dentro das empresas", diz. "Mas, no médio prazo, algo em torno de 15 anos, pode ser que isso vire uma realidade para qualquer companhia, de qualquer porte. Até lá, as rotinas atuais serão devidamente desconstruídas e substituídas por novas”, aposta.

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